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Correio da Manhã

Política
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Iniciativa Liberal desafia Governo a repensar relação económica com a China

Cotrim Figueiredo começou por desafiar o Governo português a repudiar os acontecimentos recentes no parlamento de Hong Kong.
Lusa 20 de Maio de 2020 às 17:55
Cotrim Figueiredo começou por desafiar o Governo português a repudiar os acontecimentos recentes no parlamento de Hong Kong
Cotrim Figueiredo começou por desafiar o Governo português a repudiar os acontecimentos recentes no parlamento de Hong Kong FOTO: Lusa
O deputado único e presidente da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim Figueiredo, desafiou esta quarta-feira o Governo a repensar a relação económica com a China, defendendo que "os valores da democracia liberal não estão à venda".

Na sua intervenção no debate quinzenal com o primeiro-ministro no parlamento, o deputado da IL antecipou que iria falar de "algo completamente diferente", considerando que os problemas relacionados com a pandemia de covid-19 "hão de passar", mas os problemas geoestratégicos políticos estruturais de Portugal "hão de continuar".

Cotrim Figueiredo começou por desafiar o Governo português a repudiar os acontecimentos recentes no parlamento de Hong Kong, quando vários deputados pró-democracia foram expulsos da sala para permitir a eleição da presidente da Comissão da Câmara, pró-China.

"O Governo português, o primeiro-ministro em concreto vai repudiar esta ação e dar um sinal aos portugueses de que há valores mais importantes na democracia liberal do que os interesses económicos do país?", questionou.

António Costa recusou pronunciar-se sobre o caso concreto, mas defendeu que "ninguém na sociedade internacional tem dúvidas de que Portugal é um bastião na defesa dos direitos humanos e dos regimes democráticos", qualquer que seja o nível de relação económica com o Estado em causa.

O presidente da Iniciativa Liberal voltou ao tema, apontando exemplos de repressão de minorias étnicas na China ou recentes manobras militares do país, para questionar as opções económicas do executivo do PS.

"Foi com este regime que o seu Governo celebrou, há cerca de um ano, a adesão entusiástica à iniciativa `Faixa e Rota´, uma espécie de versão do século XXI do colonialismo, mas agora da China", criticou.

Para a IL, defendeu, "um Governo que viola direitos humanos e usa a força para ganhar influência e poder não pode ser um parceiro estratégico de Portugal".

"Defendemos o livre comércio, somos contra protecionismos, mas os nossos parceiros preferenciais têm de respeitar os direitos humanos. O seu Governo vai continuar a fechar os olhos, como até agora, ou vai dar um sinal de que os valores da democracia liberal não estão à venda?", insistiu.

O primeiro-ministro recusou que exista "um relacionamento preferencial com a China", mas recordou que este é um Estado com o qual Portugal tem "relações seculares", e foi o último país a administrar território chinês, numa referência a Macau.

António Costa salientou que "ainda muito recentemente" Portugal acompanhou, no comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, a posição da União Europeia de sinalizar que "houve um recuo no respeito pelos direitos civis" na China, apesar de apontar um avanço nos direitos económicos e sociais.

"Não confundimos a firmeza, relativamente à China ou outro país, na defesa dos direitos humanos, com outra realidade, que é o relacionamento que devemos manter do ponto de vista económico com qualquer Estado e também com a China", afirmou.

Quanto à iniciativa também conhecida como ?Nova rota da seda', o primeiro-ministro defendeu que o que Portugal acordou com a China foi "o estudo da integração do trajeto e do porto de Sines na iniciativa", que estava planeada para terminar em Madrid.

"A questão é de facto de geopolítica: saber se o porto de Sines é uma peça fundamental da articulação do continente europeu com a economia global ou se essa articulação se esgota no porto seco de Madrid. Se prefere esta opção, é uma opção muito errada para o país", considerou Costa, no final do debate quinzenal.

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