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Correio da Manhã

Política
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Jerónimo desafia Costa que promete negociar com PCP "sem espalhafato"

Secretário-geral do PCP insistiu que a abstenção do partido, nesta fase, destina-se a permitir o debate na especialidade.
Lusa 27 de Outubro de 2020 às 17:06
 O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
 O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
 O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa
Jerónimo de Sousa
O secretário-geral do PCP desafiou hoje o primeiro-ministro a dizer se quer convergir com os comunistas em matérias como valorização dos serviços públicos e teve como resposta o apelo para uma negociação do Orçamento "sem espalhafato".

No debate, na generalidade, do Orçamento do Estado de 2021, no parlamento, Jerónimo de Sousa insistiu que a abstenção do partido, nesta fase, destina-se a permitir o debate na especialidade e enumerou uma série de matérias em que desafiou "o Governo e o PS" a dizer se aceitou "convergir".

O líder comunista deu o exemplo, do aumento geral dos salários à valorização da proteção social, do aumento do subsídio de desemprego ao alívio da "maior fiscal".

"O PS tem que clarificar se é com o PCP que quer convergir, ou se são outros os objetivos e as convergências", afirmou.

Na resposta, António Costa admitiu que, no debate na especialidade, nem o PS nem o Governo "vai convergir com tudo", até porque, se isso acontecesse: "um de nós estaria na bancada errada".

Recordou que, a exemplo do que aconteceu "ao longo dos últimos anos" em que "foi sempre possível fazer trabalho sério, sem espalhafato, para encontrar respostas", agora antecipar que se continue a "trabalhar com a mesma seriedade e determinação" neste orçamento.

Questionou ainda que "de nada serve" dizer que o Orçamento do Estado tem uma "forte carga social" ou no "apoio à economia" se depois não há medidas concretas.  ausentes medidas concretas que deem expressão a esses apoios.

O líder comunista interrogou-se ainda que, "num momento em que se agravam os problemas, como pode o Governo continuar a dar prioridade à redução do défice" e "nega ao país cerca de 6 mil milhões de euros que ficam a fazer falta para resolver os problemas".

Ou ainda que "de nada serve" dizer que o Orçamento do Estado tem uma "forte carga social" ou no "apoio à economia" se depois não há medidas concretas.  ausentes medidas concretas que deem expressão a esses apoios.

"Como pode o governo continuar a dar prioridade ao défice em vez do crescimento da economia e do emprego?", perguntou.

Estas foram áreas a que o chefe do Governo não deu resposta, nos cerca de seis minutos de frente-a-frente com o secretário-geral comunista.

Para Costa, e dizendo que não está a "fazer chantagem" sobre ninguém, a "questão política de fundo" é a opção de recusar um bloco central com o PSD.

"Não queremos fazer nenhum bloco central, aquilo que queremos é dar a continuidade à nova situação política que emergiu das eleições de 2015 e que tem permitido, desde então, orçamento a orçamento, medida a medida, encontrar pontos de vista convergentes para resolver problemas concretos", disse.

 

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