Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
9

Líder parlamentar do PSD diz que "felizmente" reunião sobre eutanásia não foi unânime e reitera liberdade de voto

Parlamento discute hoje eutanásia e vota referendo na sexta-feira.
Lusa 22 de Outubro de 2020 às 13:42
Adão Silva
Adão Silva
O líder parlamentar do PSD, Adão Silva, afirmou esta quinta-feira que, "felizmente", a reunião da bancada do partido não foi unânime sobre a posição a adotar no debate do referendo à eutanásia, mas manter-se-á o princípio da liberdade de voto.

Em declarações aos jornalistas no final de quase três horas de reunião, Adão Silva anunciou que o PSD colocará - tal como fez no debate das iniciativas legislativas sobre a eutanásia, em fevereiro - dois deputados a falar, um a favor do referendo, Paulo Moniz (dos Açores), e outro contra, a coordenadora da Comissão de Assuntos Constitucionais Mónica Quintela, no debate de hoje à tarde.

Durante a reunião desta manhã, foram vários os deputados a defender que a direção deveria tomar uma posição política a favor do referendo, como o presidente da Comissão de Assuntos Constitucionais Marques Guedes, a ex-líder da JSD Margarida Balseiro Lopes ou deputados como Emídio Guerreiro e Paulo Leitão.

O antigo líder da JSD Pedro Rodrigues, que tem defendido que deveria ser o partido a propor um referendo nesta matéria, considerou que a decisão da direção de dar liberdade de voto coloca os sociais-democratas "ao lado do PS" e desrespeita uma moção temática aprovada no último Congresso.

Em sentido contrário, falaram na reunião, além de Adão Silva, o secretário-geral José Silvano ou o 'vice' da bancada Carlos Peixoto, que consideraram tratar-se de uma "matéria de consciência", mais do que política, defendendo a liberdade de voto decidida na segunda-feira pela Comissão Política Nacional.

Mónica Quintela, que hoje falará no debate contra o referendo, pronunciou-se contra a pergunta em concreto proposta pela iniciativa popular que deu origem ao projeto de referendo: "Concorda que matar outra pessoa a seu pedido ou ajudá-la a suicidar-se deve continuar a ser punível pela lei penal em quaisquer circunstâncias?".

Aos jornalistas, Adão Silva defendeu que o princípio da liberdade é "um princípio essencial do PSD" e considerou que a moção temática aprovada em Congresso "não tem a impositividade" que alguns lhe querem atribuir.

"Felizmente, a reunião não foi unânime, houve posições antagónicas, mas sempre expressas num respeito e elegância muito grande", disse, saudando a "qualidade extraordinária" de várias intervenções.

PSD Adão Silva JSD PS política partidos e movimentos parlamento referendo
Ver comentários