Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
7

Marcelo após ida ao bairro da Jamaica: "Não peço o cadastro criminal para falar ou tirar selfies"

Presidente da República visitou o local para combater "clima de guerra racial".
5 de Fevereiro de 2019 às 18:19
Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Bairro da Jamaica no Seixal
Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Bairro da Jamaica no Seixal
Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Bairro da Jamaica no Seixal
Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Bairro da Jamaica no Seixal
Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Bairro da Jamaica no Seixal
Marcelo Rebelo de Sousa visitou o Bairro da Jamaica no Seixal
O Presidente da República afirmou esta terça-feira que a sua visita ao bairro Jamaica teve como objetivo combater um "clima de guerra racial" em Portugal, e frisou que se trata de "um bairro tão português" como os outros.

Em declarações aos jornalistas, na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que na visita que fez "de surpresa" na segunda-feira àquele bairro no Seixal, distrito de Setúbal, verificou "as condições sociais e o projeto de realojamento" e fez questão de contactar "com todos, sem exceção".

"Porque eu sou Presidente de todos os portugueses", salientou, acrescentando: "Portanto, eu, normalmente, quando pela rua contacto com os portugueses, não peço o cadastro criminal, nem o cadastro fiscal, nem o cadastro moral para falar com eles ou tirar selfies - não, é com todos".

O chefe de Estado respondeu assim a quem, como o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, o criticou pela visita que fez, sem anúncio prévio e sem comunicação social, ao bairro de Vale de Chícharos, também conhecido como bairro Jamaica, 15 dias depois de se terem registado incidentes com a polícia naquele local - que levaram à abertura de um inquérito pelo Ministério Público e de outro pela direção nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Segundo o Presidente da República, "os portugueses percebem facilmente" que naquele bairro "não houve uma guerra de um bairro negro contra uma polícia branca, ou de uma polícia branca contra um bairro negro, não houve nada disso".

"Houve e há uma comunidade portuguesa, um bairro português, que é um bairro que tem problemas críticos, habitacionais, como muitos outros, embora com um plano de realojamento. E há e houve forças de segurança, uma polícia portuguesa, que exerce a sua função ao serviço do Estado de direito democrático, como eu disse desde a primeira hora", contrapôs.

Interrogados se não deveria ter visitado o bairro Jamaica depois de conhecidos os resultados das investigações em curso, respondeu: "Não, porque precisamente eu tinha, desde o primeiro momento, separado os factos em investigação do Ministério Público da realidade global. Eu disse 'não se pode generalizar', que é o que muita gente começou a fazer na sociedade portuguesa, criando um clima de uma guerra racial".

"Foi precisamente contra esse clima de guerra racial que eu fui, para dizer: não, é um bairro tão português como todos os bairros portugueses, e há muitos que têm os problemas sociais e habitacionais como aquele. Em segundo lugar: não se pode confundir pontos que estão em investigação com uma comunidade portuguesa integrada e com forças de segurança que servem o Estado de direito democrático, todos os dias", reforçou.

"Só diminui as forças de segurança equipará-las a comunidades"
O Presidente da República considerou esta terça-feira, a propósito dos incidentes no bairro Jamaica, que só diminui as forças de segurança alimentar a ideia de que estão em confronto, no mesmo plano, com qualquer comunidade, equiparando-as a estas.

"Não compreendo, francamente, como se pode equiparar comunidades e forças de segurança. São coisas diferentes. Por definição, as forças de segurança exercem a sua autoridade relativamente a todas as comunidades no espaço nacional, urbano ou não urbano. E estar a querer comparar, equiparar essas realidades é diminuir o papel das forças de segurança", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas na varanda do Palácio de Belém, em Lisboa, reforçou esta mensagem: "As forças de segurança só ganham em perceber que, ao alimentarem a ideia de que há um confronto no mesmo plano com qualquer comunidade sobre a qual têm de exercer autoridade, estão a diminuir-se".

O chefe de Estado respondeu assim a quem, como o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, o criticou por ter ido na segunda-feira ao bairro de Vale de Chícharos, também conhecido como bairro Jamaica, no Seixal, distrito de Setúbal, vendo nesse gesto uma desconsideração pelas forças de segurança ou a opção por um lado dos lados de um conflito.

A sua visita, sem anúncio prévio e sem comunicação social, aconteceu 15 dias depois de se terem registado incidentes com a polícia naquele local, que levaram à abertura de um inquérito pelo Ministério Público e de outro pela direção nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Segundo o Presidente da República, é errado "equiparar comunidades e forças de segurança" e "não perceber isto é não perceber qual é o papel das forças de segurança".

"Estão num plano diferente do plano da sociedade relativamente à qual exercem funções de autoridade", insistiu.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou também que "estar a alimentar a polémica sobre esta matéria é, direta ou indiretamente, como se assistiu nos últimos tempos", contribuir para "um clima de 'os bons e os maus', 'os brancos contra os negros', 'os negros contra os brancos', 'uns contra os outros'", que rejeitou.

"Isso não se coloca relativamente às forças de segurança, que estão num plano diferente, só as diminui colocar assim. E, por outro lado, isto é não compreender que somos todos portugueses, são todos portugueses, é introduzir aqui na sociedade portuguesa o que não podemos introduzir", argumentou.

Sobre a sua visita ao bairro Jamaica, começou por dizer que ali "não houve uma guerra de um bairro negro contra uma polícia branca, ou de uma polícia branca contra um bairro negro, não houve nada disso, colocados os dois no mesmo plano".

"Houve e há uma comunidade portuguesa, um bairro português, que é um bairro que tem problemas críticos, habitacionais, como muitos outros, embora com um plano de realojamento. E há e houve forças de segurança, uma polícia portuguesa, que exerce a sua função ao serviço do Estado de direito democrático, como eu disse desde a primeira hora", contrapôs.

Questionado sobre os pedidos de representantes sindicais da polícia para que os receba, o chefe de Estado respondeu apenas que "as assessorias já receberam vários sindicatos da polícia ao longo dos anos".

Interrogado sobre o seu apoio como Presidente da República às forças de segurança, observou: "Quase que eu diria que estava a brincar comigo, tendo eu reagido como reagi relativamente ao Jamaica, falando no papel das forças de segurança, logo no primeiro minuto, ao serviço do Estado de direito democrático".

Marcelo Rebelo de Sousa referiu ainda que, num encontro com alunos da Escola Básica e Secundária Passos Manuel, em Lisboa, no dia 24 de janeiro, esteve "uma hora a explicar aos estudantes, particularmente tensos, a importância e o papel das forças de segurança".

Em reação à sua visita ao bairro Jamaica, o presidente ASPP publicou um texto no Facebook queixando-se de discriminação por parte do chefe de Estado, que acusou de "desprezo completo" pelos polícias e pela segurança do país e a quem se referiu como "um PR de quase todos os portugueses".

"Já pedi ao Presidente da República reunião, já pedi que interviesse para resolver questões da polícia, já o convidei várias vezes, publicamente, para aparecer um dia, sem avisar, e junto com uma patrulha fazer um turno de serviço e ir resolver ocorrências, ele nunca aceitou. Mas foi ao bairro da Jamaica!", escreveu Paulo Rodrigues.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)