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Correio da Manhã

Política
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Marcelo diz que portugueses "foram enganados" sobre vacina da gripe e que se baseou na convicção da ministra da Saúde

Presidente da República espera segundo mandato mais difícil mas sem crise política em 2021.
Lusa 21 de Dezembro de 2020 às 22:21
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: Lusa
Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que espera um segundo mandato mais difícil, se for reeleito Presidente da República, identificando "mais pulverização" no sistema partidário, à esquerda e à direita, mas afastou uma crise política em 2021.

"Eu acho que o segundo mandato vai ser mais difícil, se for atribuído pelos portugueses", declarou o chefe de Estado e candidato presidencial, em entrevista à TVI, referindo que não sabe quando acabará a pandemia de covid-19 e qual a duração e profundidade da crise económica e social.

Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que, "quanto mais longo for tudo isto, maior a desigualdade entre os portugueses", realçando que "esse é um fator que está a agravado".

"E quanto maior for isto tudo, maior o stresse do sistema político. Ora, o sistema político, quando eu entrei, tinha um fator de stresse, que eram dois hemisférios que não se podiam ver um ao outro, ambos achavam que tinham legitimidade para governar o país. Agora é mais do que isso: os hemisférios existem, só que dentro dos hemisférios há mais parceiros, há mais protagonistas, há mais pulverização", acrescentou.

Segundo o Presidente recandidato, "portanto, é mais difícil a sustentabilidade da área de esquerda no poder e é mais complexa a construção de uma alternativa de direita na oposição".

Questionado se lhe passa pela cabeça a possibilidade de no próximo ano haver eleições legislativas antecipadas, respondeu: "Não, Isso não passa".

Marcelo Rebelo de Sousa assinalou que o Orçamento do Estado para 2021 foi aprovado, que no primeiro semestre Portugal terá a presidência da União Europeia e que depois haverá eleições autárquicas.

"E logo a seguir há o debate interno nos partidos pelo termo do mandato de muitas lideranças. O que significa que não é desejável e não é previsível nenhuma crise em 2021", concluiu.

"Portugueses foram enganados" sobre vacinas da gripe
Questionado sobre a questão das vacinas contra a gripe marcelo afirma que os "portugueses foram enganados", e diz que se baseou "na convicção da Ministra da Saúde", de que as vacinas chegariam para todos. Confrontado com a realidade das vacinas contra a Covid-19, Marcelo responde: "Desta vez empenhei-me em falar com os produtores de vacinas [Pfizer e Moderna]". O Presidente da República diz que se quis informar dos "quantitativos" e  que acompanhou "o melhor que" pôde o planeamento. Sobre o que transmitiu aos responsáveis, foi perentório: "Não elevar expectativas dos portugueses".

Marcelo recorda incêndios e demissão da MAI para responder a pergunta sobre Cabrita/SEF: "A  senhora ministra pediu a exoneração"
O Presidente da República considerou que no caso da morte de Ihor Homenyuk usou uma "expressão paralela" à da intervenção que antecedeu a demissão de Constança Urbano de Sousa de ministra da Administração Interna em 2017.

Marcelo Rebelo de Sousa assumiu esta posição em entrevista à TVI, a propósito do caso da morte do cidadão ucraniano Ihor Homenyuk em instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) no aeroporto de Lisboa.

Questionado se admite que não foi tão duro agora com o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, como com a sua antecessora neste cargo, Constança Urbano de Sousa, face aos incêndios, em outubro de 2017, o chefe de Estado discordou dessa leitura.

"Não, eu usei até uma expressão, eu usei no outro dia em Belém uma expressão que era paralela a essa, num plano diferente", contrapôs.

Antes, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que em 2017 defendeu que "valia a pena pensar se quem no plano da Administração Pública exercia funções que tinham conduzido a certo resultado eram as pessoas indicadas para a mudança", falando então em geral na Administração Pública.

"E a senhora ministra [Constança Urbano de Sousa] pediu a exoneração. A senhora ministra da Administração Interna pediu a exoneração, na altura. Não tenho conhecimento de pedido de exoneração nem proposta de exoneração do senhor ministro da Administração Interna [Eduardo Cabrita]", acrescentou o Presidente da República.

No dia 17 de outubro de 2017, numa declaração ao país, feita a partir da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que era preciso "abrir um novo ciclo", na sequência dos incêndios, e que isso "inevitavelmente obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, como e quando melhor serve esse ciclo".

Agora, em relação ao caso do SEF, no dia 10 deste mês, no Palácio de Belém, em Lisboa, o Presidente da República defendeu que era preciso apurar se a morte de Ihor Homenyuk corresponde a uma atuação sistémica e que, se assim for, há que mudar a instituição e protagonistas: "Quem protagonizou a passada provavelmente não tem condições para protagonizar a futura".

PR convicto de que Azeredo Lopes não sabia do reaparecimento das armas
O Presidente da República manifestou-se convicto de que Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa, não sabia do reaparecimento das armas de Tancos, e assinalou a "coincidência temporal" desse acontecimento com a remodelação governamental na sequência dos incêndios.

Marcelo Rebelo de Sousa falou cerca de dez minutos sobre o caso de Tancos, considerando que no plano judicial "vai haver uma decisão que vai ser mais rápida do que se temia" e desvalorizando as alegações do Ministério Público sobre o seu anterior chefe da Casa Militar, o tenente-general João Cordeiro.

Questionado se em algum momento se sentiu enganado pelo ex-ministro da Defesa, José Azeredo Lopes, o chefe de Estado respondeu: "Não, porque o senhor ministro da Defesa, nunca, nos múltiplos contactos que tivemos sobre Tancos, me deu o mínimo sinal - e digo o senhor ministro da Defesa como o senhor primeiro-ministro, com quem falei de Tancos 'n' vezes - de que sabia o que se tinha passado relativamente a Tancos".

"Não sabia, eu fiquei com a convicção sempre de que ele não sabia nem antes nem durante o furto das munições que ia haver o furto e como é que foi o furto, nem que iam ser achadas as munições no momento em que foram achadas", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República relatou, em seguida, que quando leu a notícia da agência Lusa sobre o reaparecimento do material militar furtado de Tancos, no dia 18 de outubro de 2017, observou para si próprio: "Olha que coincidência temporal esta. No momento em que temos um problema enorme, que foi o dia do grande problema da segunda vaga de fogos e que culminou no pedido de exoneração da senhora ministra da Administração Interna [Constança Urbano de Sousa] e na remodelação feita pelo senhor primeiro-ministro, de repente, onde havia duas frentes, passou a haver uma só frente".

"Mas que coincidência. Para quem é crente, é a providência divina, para quem não é crente, é um acaso muito curioso, pensei para comigo. Eu sou crente, portanto, dou o benefício da dúvida à providência divina", considerou Marcelo Rebelo de Sousa.

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