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Marcelo pede contenção nos fins de semana e Páscoa mas deixa recado: "Economia não fechou portas. Há que trabalhar"

Presidente da República falava este sábado após uma visita a um laboratório.
Correio da Manhã e SÁBADO 28 de Março de 2020 às 12:16
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República pediu hoje aos portugueses que, no período da Páscoa, continuem a respeitar as normas de contenção para combate ao surto de covid-19, considerando que é uma tarefa coletiva que "Portugal está a vencer".

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas após ter visitado a fábrica da farmacêutica Hovione, em Loures, acompanhado pelo ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, e pelo presidente deste município, Bernardino Soares.

No final da visita, perante os jornalistas, o Presidente da República deixou um pedido sobretudo aos cidadãos que não estão a trabalhar, numa altura em que se iniciam as férias da Páscoa.

"Agora que se aproxima o período da Páscoa, os que não estão a trabalhar e não têm de trabalhar, respeitem o apelo de contenção. É um apelo coletivo. No fundo, estamos perante uma tarefa coletiva, que estamos a viver, que estamos a vencer, porque a adesão dos portugueses é massiva, mas tem de continuar", declarou Marcelo Rebelo de Sousa.

O domingo de Páscoa calha este ano a 12 de abril e, de acordo com o calendário escolar 2019/20, as férias da Páscoa decorrem entre 30 de março e 13 de abril.

O Presidente da República salientou a tese de que o combate ao surto de covid-19 requer "um esforço continuo".

"Isso implica que nós, no dia seguinte, não podemos perder aquilo que ganhámos na véspera ou na semana anterior. Estamos a ganhar o achatamento da curva, mas não podemos perder", disse, numa alusão à evolução do número de infetados em Portugal ao longo da última semana.

Questionado se o Governo deverá apertar as regras do estado de emergência, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, "numa afirmação democrática de autoridade", enunciou a preocupação de acompanhamento e controlo "no sentido de que não se trata de uma determinação ocasional" do executivo.

"Quando o Governo faz esses apelos ou toma essas decisões, é com base naquilo que os epidemiologistas dizem. Quando os especialistas pedem atenção à mobilidade num período tão longo como o da Páscoa, é para que não se comprometa um esforço que está a correr bem. Os portugueses têm de compreender isso", insistiu.

Com esta visita a uma indústria do setor farmacêutico, o chefe de Estado disse que também pretendeu mostrar que "há portugueses que estão a trabalhar ao sábado e ao domingo" e, por outro lado, que a Hovione se encontra em laboração contínua na produção de medicamentos (parte para exportação) e de gel desinfetante.

"A economia mais a saúde não podem parar. Aqui estão muitos trabalhadores a trabalhar por Portugal", acrescentou.

Portugal regista hoje 100 mortes associadas à covid-19, mais 24 do que na sexta-feira, enquanto o número de infetados subiu 902, para 5.170, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde.

O relatório da situação epidemiológica em Portugal, com dados atualizados até às 24:00 de sexta-feira, indica que a região Norte é a que regista o maior número de mortes (44), seguida da região Centro (28), da região de Lisboa e Vale do Tejo (27) e do Algarve (1).

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