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Correio da Manhã

Política

Marcelo Rebelo de Sousa cancela comemorações do 10 de junho

Decisão foi tomada devido à pandemia do novo coronavírus.
António Sérgio Azenha 26 de Março de 2020 às 11:06
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: Miguel Figueiredo Lopes/REUTERS
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, decidiu cancelar as comemorações do 10 de Junho deste ano que se iriam realizar na Madeira e na África do Sul. O CM sabe que esta decisão foi tomada devido à pandemia do novo coronavírus.

Marcelo Rebelo de Sousa comunicou esta decisão por carta ao presidente da Assembleia da República, ao primeiro-ministro e às autoridades da Madeira, adiantou a mesma fonte.

"Considerando as circunstâncias atuais de pandemia covid-19, cujos efeitos se vão ainda estender por largas semanas, vejo-me constrangido a decidir a anulação das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas que estavam previstas no mês de junho para o Funchal e junto das comunidades portuguesas na África do Sul", lê-se numa carta a que a agência Lusa teve acesso.

"Lamento naturalmente tal decisão, mas a situação atual a isso exige", acrescenta o chefe de Estado, na mesma carta.

Em 2016, ano em que tomou posse como Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um modelo inédito, acertado com o primeiro-ministro, António Costa, em que as celebrações do Dia de Portugal começam em território nacional e se estendem a um país estrangeiro com comunidades emigrantes portuguesas.

Nesse ano, o Dia de Portugal foi celebrado entre Lisboa e Paris. Em 2017 as comemorações foram no Porto e nas cidades brasileiras do Rio de Janeiro e São Paulo, em 2018 dividiram-se entre Ponta Delgada, nos Açores, e as cidades de Boston, Providence e New Bedford, na Costa Leste dos Estados Unidos da América, e em 2019 decorreram em Portalegre e Cabo Verde.

O Presidente da República tinha escolhido o teólogo e poeta madeirense José Tolentino Mendonça, entretanto elevado de arcebispo a cardeal, para presidente da edição deste ano das comemorações do 10 de Junho.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 450 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 20 mil morreram.

Portugal regista 60 mortes associadas à covid-19 e 3.544 casos de infeção confirmados, segundo o boletim hoje divulgado pela Direção-Geral da Saúde.

10 de Junho será celebrado em Lisboa com os devidos cuidados

O Presidente da República afirmou esta quinta-feira que o 10 de Junho será celebrado em Lisboa, com os devidos cuidados, e propôs que as celebrações canceladas na Madeira e África do Sul se realizem em 2021.

Em declarações aos jornalistas, no Palácio de Belém, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa justificou a decisão de cancelar as celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas na Madeira e África do Sul em junho deste ano com o surto da covid-19.

"Implicaria a movimentação de centenas de militares e centenas de civis do continente para a Madeira e a presença de milhares de nossos compatriotas madeirenses", referiu, salientando, por outro lado, que a África do Sul "está neste momento a viver um regime muito restritivo" devido à pandemia da covid-19 e que as comemorações nesse país implicariam também "um conjunto de deslocações" e "grandes aglomerações".

O chefe de Estado frisou, no entanto, que "haverá a celebração do 10 de Junho" neste ano, porque "Portugal continua".

"Portanto, haverá a celebração do 10 de Junho em Lisboa, mas com os cuidados impostos pelas circunstâncias. Espero que possa haver o 10 de Junho na Madeira e na África do Sul no ano que vem", acrescentou Marcelo Rebelo de Sousa.

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