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Marcelo Rebelo de Sousa: “O governo diz que está preocupado” com os números da Covid-19

Presidente da República tinha a expectativa de que o país registasse apenas 100 novos casos da covid-19.
Correio da Manhã 4 de Setembro de 2020 às 19:19
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: Nuno Alfarrobinha

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, garantiu que não está preocupado com o aumento do número de casos de coronavírus no País e sublinhou que o Governo é que diz que está preocupado".

"Há várias declarações de membros do Governo que dizem que há qualquer coisa de preocupante ou que a situação é grave. Quando o Governo, com umas semanas de antecedência, admite passar a estado de contingência, não é porque está despreocupado, senão não anunciava o estado de contingência. Mais vale prevenir do que remediar. Só atua assim quem acha que pode haver o risco de, é só isso", sustentou.

Marcelo, que jantou esta sexta-feira com os autarcas algarvios em Castro Marim, afirmou que tinha a expectativa de que Portugal registasse apenas 100 casos de covid-19, ou menos, por dia, no início de setembro, mas considerou a situação "controlada e estável". 

O chefe de Estado considerou que "a situação está controlada e estável, no bom sentido do termo, em matéria de internamentos e cuidados intensivos", mas que esperava "uma tendência decrescente, tendendo para diminuir progressivamente" no número global de casos.

"Infelizmente, não foi o que aconteceu. Nós estamos, em alguns dias da semana, com altos e baixos: aos fins de semana, [os números] são baixos - entre sábado e segunda -, e durante a semana são muito mais altos", acrescentou.

O Governo anunciou no passado dia 29 de agosto que Portugal, que atualmente se encontra em situação de alerta, irá entrar em situação de contingência a partir de 15 de setembro. A região da Grande Lisboa já se encontra em contingência, situação em que se manterá aquando da mudança.

O Presidente da República recordou que está marcado para segunda-feira, no Porto, o retorno das reuniões sobre a evolução da covid-19, com a presença de todos os partidos políticos com assento parlamentar.

"Espero que essa sessão seja útil também para isso, para todos os partidos políticos perceberem por que é que o Governo, com antecipação, preventivamente, disse que tinha a intenção de, daí a umas semanas, vir a recorrer ao estado de contingência. Espero que essa sessão, além de esclarecer os portugueses na parte aberta, esclareça os partidos políticos com assento na Assembleia da República", sublinhou.

Questionado sobre a presença de público nos estádios, uma pretensão reclamada pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional nas últimas semanas, o chefe de Estado disse que está em causa "a definição de regras e o acompanhamento da evolução da situação" e que a gestão da pandemia passa por "um equilíbrio entre a defesa da vida e da saúde e o não matar a economia ou a sociedade".

"Isto é um equilíbrio entre dramatizar muito e desdramatizar totalmente. A dramatização total e a desdramatização total. É um equilíbrio. Nesse equilíbrio, entra a definição das regras sanitárias. Quando se define uma regra sanitária, atende-se ao risco que acarreta para a vida e para a saúde, mas também atende-se ao exemplo que se dá e como as pessoas leem isso. Pode a intenção ser muito boa e a leitura ser completamente diferente", assinalou.

Exemplificando com as regras diferentes entre a Feira do Livro, os espetáculos, as escolas e nos estabelecimentos, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que "a afinação é complicada" porque a opinião pública espera "regras iguais para todas as situações".

"Essa ponderação é uma ponderação que tem de ser feita pelos especialistas. Mas depois, e por isso é que 'bati muito na tecla' do esclarecimento, é preciso explicar para as pessoas perceberem por que é que num caso é um metro, noutro são dois metros e noutro é oito metros. Se não há explicação, uma parte dos portugueses dramatiza e outra parte desdramatiza completamente", concluiu.

Em Portugal, morreram 1.833 pessoas das 59.457 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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