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Correio da Manhã

Política
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Mário Soares homenageado pelas principais figuras do Estado

O antigo chefe de Estado morreu há um ano.
7 de Janeiro de 2018 às 08:10
Mário Soares
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O antigo chefe de Estado Mário Soares, que morreu há um ano, é este domingo homenageado com um tributo das principais figuras do Estado, junto ao jazigo onde foi depositado, no cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

A cerimónia começou às 16h00 e, além dos filhos, Isabel e João Soares, estão presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Após o tributo junto ao jazigo, é inaugurada na galeria de exposições temporárias da capela do cemitério a exposição "A cerimónia do Adeus, o funeral de Estado de Mário Soares visto pelos fotógrafos".

Mário Soares faleceu em 07 de janeiro do ano passado no Hospital da Cruz Vermelha, na capital, depois de ter permanecido internado 25 dias.

O Governo decretou então três dias de luto nacional e um funeral com honras de Estado, tendo o corpo do ex-chefe de Estado permanecido mais de 24 horas na Sala dos Azulejos do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, por onde passaram as mais destacadas figuras da política portuguesa.

A urna depositada em cima de um armão militar puxado por cavalos seguiu depois para o Cemitério dos Prazeres, onde agora se realizará uma homenagem. 

Soares desempenhou os mais altos cargos no país e a sua vida confunde-se com a própria história contemporânea portuguesa.

Foi fundador e primeiro líder do Partido Socialista após combater o Estado Novo.

Em 1974 foi titular das pastas dos Negócios Estrangeiros dos primeiros governos provisórios, liderou os I, II e IX Governos Constitucionais (1976-78 e 1983-85), até chegar à Presidência da República, onde ficaria por dois mandatos (1986-1996).

Embora formalmente distante da primeira linha política desde 2006, Mário Soares manteve mesmo assim uma intervenção pública regular, que apenas foi interrompida por razões de saúde nos primeiros dois meses de 2013.

Homenageamos Mário Soares continuando o combate por um Portugal melhor, diz Costa
O primeiro-ministro e secretário-geral do PS considerou que a mais justa homenagem a Mário Soares é continuar o seu combate por um Portugal melhor e que esse desígnio é cumprido diariamente honrando as suas lutas.

António Costa falava numa cerimónia de tributo ao antigo Presidente da República, um ano após a sua morte, na capela do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa.

O primeiro-ministro, que não esteve nas cerimónias fúnebres de Mário Soares, há um ano, por se encontrar em visita de Estado à Índia, prestou-lhe hoje homenagem no lugar da sua sepultura e recordou-o com "um homem exemplar", que "aliou o idealismo e o realismo" e "construiu a história, e por isso a história guardará o seu nome, a sua obra e o seu exemplo".

"A nossa mais justa homenagem a Mário Soares é continuarmos o seu combate por um Portugal melhor. Cumprimos diariamente esse desígnio honrando as suas lutas. Sempre que lutamos por um Portugal mais desenvolvido e mais justo, homenageamos Mário Soares", afirmou, num discurso de cerca de cinco minutos.

Perante a família de Mário Soares, o Presidente da República e o presidente da Assembleia da República, António Costa acrescentou: "Sempre que promovemos a liberdade e a cultura, homenageamos Mário Soares. Sempre que nos batemos por uma Europa mais solidária, homenageamos Mário Soares".

"Sempre que lutamos por um mundo de paz e de progresso, homenageamos Mário Soares. E o nosso dever é todos os dias homenagearmos Mário Soares. Republicano, laico e socialista, assim se disse e assim se quis. E podemos acrescentar: humanista, universalista, português, europeu e cidadão do mundo", completou.

Quanto à ação política do antigo chefe de Estado, António Costa descreveu-a dizendo que "Mário Soares aliou sempre o idealismo e realismo, convicção e ação, política e cultura, consciência da história e das lições do passado com uma visão criadora e ambiciosa do futuro, pelo qual tinha uma curiosidade irreprimida e incontida".

"Soares foi um homem exemplar. Um exemplo de combate constante por aquilo em que acreditava, um exemplo de coragem de dizer o que pensava e de fazer o que sentia dever. Um exemplo de génio político, que alcançava o que parecia impossível. Um exemplo de amor à vida e de energia criadora", elogiou.

O primeiro-ministro apontou-o também como "um exemplo de político que até ao fim se assumiu integralmente como tal, consciente de que a política, feita com idealismo, coragem e convicção, é uma das mais nobres, se não a mais nobre atividade humana e atividade cívica".

"Foi, em momentos decisivos, o rosto e a voz da nossa liberdade. Desse título raros homens se podem orgulhar", prosseguiu, defendendo: "Temos o dever de às gerações futuras legarmos um grande português de quem tivemos um privilégio único e a honra de poder ser contemporâneos".

"Não faltar a Soares é valorizar a democracia e o europeísmo" 
O presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, considerou que a melhor forma de evocar o antigo Presidente Mário Soares é "valorizar as suas causas de sempre: a democracia, o europeísmo, a justiça social, os direitos humanos".

"Mário Soares faz-nos falta, Maria Barroso faz-nos falta. Não esqueço o que lhe devo, não esqueço o que lhe devemos. A melhor forma de não lhe faltarmos é valorizarmos hoje as suas causas de sempre: a democracia, o europeísmo, a justiça social, os direitos humanos", afirmou Eduardo Ferro Rodrigues, na sua intervenção no tributo promovido pela Câmara Municipal de Lisboa, um ano depois da morte do antigo Presidente da República.

Ferro Rodrigues recordou que Mário Soares "defendia o direito à indignação, o dever de lutar pelas suas convicções e a superioridade do debate e da tolerância".

"Na Assembleia da República e fora dela, vamos continuar a bater-nos por tudo isto", disse.

Mário Soares, acrescentou, "era um lutador, alguém que sabia que nada estava eternamente adquirido" e que "tudo tinha de ser conquistado e defendido de forma democrática".

Para o presidente da Assembleia da República, o antigo Presidente "mudou" a vida dos portugueses, porque foi a partir da sua visão que Portugal embarcou "na aventura da democracia, da Europa e do progresso social".

Soares "nunca precisou de ser populista para ser popular" e era um homem que "respirava liberdade e democracia", comentou ainda.

"Como ele costumava dizer, quase todos os eleitores portugueses acima dos 45 anos votaram nele pelo menos uma vez. Não deixava ninguém indiferente, tocava-nos a todos", sublinhou.

Cerca de 300 pessoas, incluindo membros do Governo e do município e deputados socialistas, assistiram hoje à cerimónia de homenagem a Mário Soares, na capela do Cemitério dos Prazeres, uma iniciativa da Câmara de Lisboa.

Câmara de Lisboa compromete-se a divulgar o legado de Mário Soares
O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, assumiu a divulgação do legado de Mário Soares como um "compromisso firme" do seu executivo, adiantando a intenção de realizar uma grande exposição sobre a sua vida.

Fernando Medina falava durante um tributo ao antigo chefe de Estado, um ano após a sua morte, na capela do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, promovido pela autarquia lisboeta, que contou também com intervenções do Presidente da República, do presidente da Assembleia da República e do primeiro-ministro e dos filhos de Mário Soares.

O autarca socialista, que foi o primeiro a discursar nesta cerimónia, considerou que "a morte de Mário Soares culminou uma rica vida, intensa, carismática, que às vezes parece prodigiosa" e que é um dever "fazer dessa vida e da sua obra um exemplo, estudando-a, dando-a a conhecer e divulgando-a".

"Por isso, quero aqui deixar à família, aos amigos e às instituições centrais da nossa República o compromisso firme da Câmara de Lisboa no total empenho para promover, divulgar o legado de Mário Soares", afirmou.

Após um breve corte de energia, Fernando Medina acrescentou: "Comecemos, talvez, por uma grande exposição sobre a vida de Mário Soares, estando certos de que este será em si mesmo um ato cívico e cultural, refletindo a vitalidade, a grandeza e o amor pela liberdade que foram os de Mário Soares".
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