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Correio da Manhã

Política
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Milhares esperam cerca de uma hora para votar para as presidenciais em Sintra

Quem se dirigiu para votar antecipadamente na Escola Secundária Santa Maria encontrou uma fila semelhante à de outros locais do país.
Lusa 17 de Janeiro de 2021 às 17:16
Longas filas para votar nas presidenciais em Sintra
Longas filas para votar nas presidenciais em Sintra FOTO: DR
Filas com tempo médio de espera de uma hora para votar nas eleições presidenciais desiludiram este domingo alguns dos mais 5.000 eleitores inscritos no voto antecipado em Sintra, que esperavam evitar ajuntamentos, mas que não abdicaram do seu direito.

Quem se dirigiu este domingo para votar antecipadamente para as eleições presidenciais na Escola Secundária Santa Maria, no concelho de Sintra, encontrou uma fila semelhante à de outros locais do país, que serpenteava várias ruas e obrigou a uma espera de cerca de uma hora até às urnas de voto.

"Por pensar que viesse muita gente no dia 24", Silvina Afonso, 75 anos, residente na freguesia de Algueirão Mem-Martins, veio votar mais cedo pela primeira vez, mas mostrou-se desiludida pela fila que encontrou, pelas 14:00.

"Foi mais por isso, por ter medo que no dia 24 viesse mais gente. Estava com receio, afinal de contas já estou aqui há mais de meia hora", desabafou à Lusa a eleitora sintrense.

Maria Olávia e Carla, mãe e filha de 79 e 55 anos, vieram votar mais cedo por serem consideradas doentes de risco no contexto pandémico da covid-19, com diabetes e cancro.

"Era para evitarmos tanta gente", confessou Carla, que levava a mãe pelo braço, com Maria Olávia a acrescentar, entre risos, "mas não resultou", apesar de "lá dentro" ter sido rápido votar.

Na longa fila de espera até à escola secundária, onde todas as pessoas mantinham uma distância mínima de segurança e usavam máscara, havia quem usasse os telemóveis para passar o tempo, mas também quem aproveitasse para atualizar leituras, com várias pessoas de livro em riste.

À chegada ao portão, estavam afixadas as mesas de voto, divididas por concelho e posteriormente por ordem alfabética, com vários funcionários a tentar guiar cada eleitor até à sua mesa, ajudando algumas pessoas que se iam mostrando mais confusas com os caminhos a percorrer já dentro da escola.

Depois da polémica entre o candidato nacionalista apoiado pelo Chega, André Ventura, e a eurodeputada apoiada pelo Bloco de Esquerda, Marisa Matias, que levou a uma onda de solidariedade apelidada de "Vermelho em Belém", Margarida Guerra, 25 anos, natural de Castelo Branco, decidiu votar com uma máscara e uma saia vermelhas, usadas propositadamente como manifesto "contra o fascismo".

"Trouxe um apontamento vermelho porque sou contra o fascismo assumidamente e achei que fazia sentido", declarou a jovem.

Na impossibilidade de poder votar no próximo domingo, dia 24, por estar a trabalhar, Marcelo Lopes foi mais um eleitor que, apesar do tempo de espera e da fila, disse à Lusa que não quis deixar de exercer o seu "direito" e "dever" de votar.

Segundo o 'site' da Câmara Municipal de Sintra, cerca de 5.300 eleitores inscreveram-se para votar antecipadamente para as eleições presidenciais, sendo que desses "1.261 são eleitores de outros concelhos e 4.072 são eleitores recenseados no concelho de Sintra".

A Escola Secundária Santa Maria, na Portela de Sintra, foi escolhida "por reunir as melhores condições para as operações eleitorais, nomeadamente nas acessibilidades e estacionamento", justificou a autarquia.

Os portugueses começaram este domingo a votar, a uma semana das presidenciais de 24 de janeiro, através do chamado voto antecipado em mobilidade, para o qual 246.880 eleitores, um número recorde desde que esta modalidade foi introduzida, em 2019.

Depois da experiência de 2019, nas europeias e legislativas, o voto antecipado em mobilidade alargou-se, das capitais do distrito para as sedes dos concelhos, e o objetivo é simples: evitar grandes concentrações de pessoas devido à epidemia de covid-19 no país.

Quem estiver inscrito para o voto antecipado deste domingo e e não o fizer, pode fazê-lo no próximo domingo.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral termina em 22 de janeiro. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

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