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Correio da Manhã

Política
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Morreu o almirante Vieira Matias

Mandou regressar navios à base por falta de orçamento.
Sérgio A. Vitorino 14 de Junho de 2020 às 09:12
Vieira Matias
Vieira Matias FOTO: Jorge Paula
A coragem e frontalidade a ser e a comandar fuzileiros especiais na Guiné, no início da carreira militar, voltou a mostrá-la em 2002, nos últimos dias como Chefe do Estado-Maior da Armada. Mandou regressar navios à base como crítica ao baixo orçamento que o governo de Guterres dera à Marinha. O almirante Vieira Matias morreu ontem, de doença prolongada, aos 80 anos.

"Notável militar, com uma carreira muito diversificada ao serviço de Portugal, que passou brilhantemente pelos fuzileiros e pelo comando no mar, tornando-o uma referência", descreve o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa - destacando a liderança (foi CEMA de 1997 a 2002) com "visão inovadora e arrojada que consegue ditar muita da presente capacidade operacional da Marinha".

"O almirante Nuno Vieira Matias era um homem notável, um grande marinheiro, um exemplo como militar, como professor e como cidadão", elogia ao CM o almirante Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. "Um dos mais notáveis lideres e militares contemporâneos, com uma carreira brilhante", lamenta o chefe da Armada, almirante Mendes Calado.

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, destaca as 16 condecorações nacionais (a última, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em janeiro) e 10 estrangeiras. Hoje realiza-se o velório, limitado à família. Amanhã, missa às 10h15 presidida pelo bispo das Forças Armadas, D. Rui Valério, e funeral, nos Prazeres, às 11h00.

PERFIL
Nuno Gonçalo Vieira Matias nasceu a 9 de julho de 1939 em Porto de Mós. Viu o mar pela primeira vez aos 3 anos, na Nazaré, mas contava que não gostou da areia nos pés. Só se apaixonou pelo oceano aos 11, em Portimão, para onde seguiu o pai em trabalho. Entrou na Escola Naval em 1958, após o ano preparatório no Exército. Quando terminou como oficial da classe de Marinha, em 1961, foi logo para uma comissão em Angola. Combateu nos rios e em terra, na Guiné, como comandante do Destacamento nº 13 de Fuzileiros Especiais, entre 1968 e 1970. Sereno, simples, inteligente, culto e pragmático, antecipou a crise na Guiné em 1998 e quando foi dada a ordem já a Marinha estava a meio do caminho.
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