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Correio da Manhã

Política

"Nojento" e "desumano": fotografia de menina negra com cartaz em manifestação do Chega gera revolta

Criança envergava cartaz amarelo com a mensagem: "Sou adotada, angolana, os meus pais são Chega".
Correio da Manhã 7 de Agosto de 2020 às 11:11
Fotografia de menina negra na manifestação do Chega gera revolta
Contramanifestação de direita no domingo em Lisboa convocada por André Ventura
Fotografia de menina negra na manifestação do Chega gera revolta
Contramanifestação de direita no domingo em Lisboa convocada por André Ventura
Fotografia de menina negra na manifestação do Chega gera revolta
Contramanifestação de direita no domingo em Lisboa convocada por André Ventura
A imagem de uma criança negra a envergar um cartaz amarelo com a mensagem "Sou adotada, angolana, os meus pais são Chega" e uma bandeira do partido na mão durante a manifestação do passado domingo, em Lisboa, está a ser alvo de várias críticas e protestos nas redes sociais.

A fotografia foi tirada durante o protesto que foi convocado por André Ventura, líder do Chega, em resposta à homenagem feita a 31 de julho ao ator Bruno Candé, morto a tiro por um idoso em Moscavide dias antes, num crime que alegadamente terá tido motivações racistas.

Em declarações ao Diário de Notícias, a mãe da menina mostrou-se arrependida de ter levado a filha consigo para a manifestação e garantiu que André Ventura não tinha qualquer conhecimento daquela forma de protesto.

"Fiz o maior disparate da minha vida, foi um ato irrefletido. Estou a ser acusada no Facebook de ser má mãe, mas fiz isto para mostrar que podemos amar-nos uns aos outros. Ela não é o meu troféu, é o amor da minha vida. Tenho uma filha de cor e quis mostrar às pessoas que não somos racistas. O erro foi ter dito que era adotada e de Angola - devia ter escrito 'o amor não tem cor'", disse ao DN, visivelmente assustada com as consequências.

Nas redes sociais, são vários os adjetivos depreciativos utilizados para caracterizar a ação desta mulher. "Repugnante", "nojento" e "repugnante" são apenas alguns.

"Não vou partilhar a foto, mas a comissão de proteção de menores tem de atuar perante a violação dos direitos da criança que foi levada para uma manifestação com um cartaz onde dizia que era adoptada", escreveu um dos muitos internautas que se manifestou sobre o assunto nas redes sociais.

Centenas de pessoas participaram na manifestação para dizer que "Portugal não é racista" e tentar afastar "esse fantasma" que assola o país sempre que algo de trágico acontece.

"Em Portugal não há racismo estrutural", disse o presidente demissionário do Chega, em declarações aos jornalistas antes do arranque da marcha que, durante mais de uma hora, percorreu a Rua da Prata e do Ouro, terminando ao final da tarde com um intervenção de André Ventura na Praça do Município.

Defendendo que "o fantasma da hipocrisia sobre o racismo não continuará a vingar", André Ventura reiterou que, tal como já tinha prometido, o Chega promoverá uma marcha "sempre que a esquerda e a extrema-esquerda" insistirem em colocar o tema do racismo na agenda política.

"Nós somos um país muito peculiar em que sempre que acontece qualquer coisa mais trágica, como foi o caso do ator Bruno Candé, nós temos sempre o fantasma do racismo a assolar-nos", salientou, insistindo que o Chega não aceita que o "racismo seja desculpa para tudo" e que quer "minorias com direitos, mas também com deveres".

"Nós queremos, sobretudo, dizer que Portugal não é um país racista", acrescentou, admitindo, contudo, que por vezes acontecem "episódios racistas".
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