Barra Cofina

Correio da Manhã

Política

"Ganhámos a primeira batalha": Marcelo garante que a luta ainda não acabou e pede ao País para evitar deslocações na Páscoa

Estado de Emergência devido ao coronavírus foi renovado por mais 15 dias em Portugal.
Wilson Ledo 2 de Abril de 2020 às 20:04
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: António Pedro Santos/Lusa
O Presidente da República apelou esta quinta-feira aos portugueses para que fiquem em casa, para evitar que a pandemia do novo coronavírus possa atingir números mais negros. "Nesta Páscoa, não troquemos uns anos na vida e saúde de todos por uns dias de férias ou de reencontro familiar", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa numa declaração a partir do Palácio de Belém.

Deixando uma palavra a todos os profissionais que ainda se encontram no terreno e que "continuam a fazer milagres", Marcelo lembrou que os efeitos económicos e sociais "serão mais profundos e duradouros do que as crises mais profundas que já vivemos". E o caminho de recuperação, avisa, vai ser "longo e exigente".

"Este é, vai ser, porventura, o nosso maior desafio dos últimos 45 anos, porque nos ultrapassa na sua origem e no seu fim", acrescentou, perante um inimigo "insidioso e imprevisível". O Presidente da República definiu que o combate à pandemia será feito em quatro fases, sendo que o país está agora a entrar na segunda: "será a das próximas semanas, neste mês crucial de abril" para evitar a propagação da pandemia.

Com o estado de emergência renovado até 17 de abril, Marcelo Rebelo de Sousa elogia o comportamento "livre e solidário" dos portugueses. "Ganhámos a primeira batalha, a da primeira fase: adiámos o pico, moderámos a progressão do vírus". E acrescentou: "Ganhámos tempo, com as medidas restritivas e a notável adesão voluntária dos portugueses".

O Presidente da República insiste que deve ser mantida a contenção e a atenção, em especial junto dos grupos de risco nesta pandemia. "Não podemos desbaratar a contenção da primeira fase". Marcelo recorda mesmo os exemplos de outros países: "outras experiências mostraram que situações do grupo de risco e visitas à terra e à família custaram explosões entre os trinta e os cinquenta dias de epidemia".

O Chefe de Estado reconhece que a quarentena e o distanciamento social significaram uma "mudança radical" para os portugueses. "Tem sido e terá de ser por mais umas semanas. Mas o que importa é sabermos que essa mudança pode valer muitas dezenas de milhares de vidas salvas", acrescentou. Marcelo deixou um pedido especial aos emigrantes perante as "restrições severas": "adiem os vossos planos, como todos estamos a adiar os nossos planos, pensando na pátria comum".

O Presidente da República avisou ainda que os próximos tempos vão exigir "reforçada atenção e punição daqueles que queiram aproveitar-se da crise para atividades criminosas contra os valores de Constituição".
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)