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Correio da Manhã

Política
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PCP admite olhar para OE e BE quer avanços

Jerónimo diz ir de mente aberta para a negociação, mas pede contenção a Marcelo por pressão sobre PSD.
Diana Ramos e José Castro Moura 30 de Setembro de 2020 às 08:31
Jerónimo de Sousa , secretário-geral do PCP, esteve ontem na exposição que assinada os 50 anos da CGTP, em Lisboa, e falou sobre o Orçamento para 2021
Jerónimo de Sousa , secretário-geral do PCP, esteve ontem na exposição que assinada os 50 anos da CGTP, em Lisboa, e falou sobre o Orçamento para 2021
O secretário-geral comunista voltou esta terça-feira a repetir que o “PCP conta” e admitiu olhar “sem reservas mentais” para a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2021, criticando os excessos do Presidente da República na pressão para a aprovação do documento. Já o BE avisa que só haverá acordo caso o OE seja “transformador da vida das pessoas”.

“Nós não partimos para debates dessa natureza com reservas mentais”, começou por dizer Jerónimo de Sousa, esta terça-feira em Lisboa, durante a visita à exposição que assinala os 50 anos da CGTP. O líder comunista garantiu haver, da parte do PCP, “grande disponibilidade para olhar para o Orçamento e ver o que lá falta e o que está a mais”. “O PCP conta e queremos dar a nossa melhor contribuição no sentido construtivo”, afiançou. Jerónimo reconheceu que há conversas a decorrer com o Governo, mas desvalorizou os riscos de crise política e aquilo que disse ser o “valor supremo, como é dito e entendido, da estabilidade política”.

Já sobre os constantes apelos de Marcelo Rebelo de Sousa à esquerda para que viabilize o Orçamento do Estado e ao PSD para que evite uma eventual crise política, Jerónimo de Sousa deixou um recado ao Chefe de Estado, avisando-o de que “tudo tem limites”. “Cada qual no seu lugar. O Presidente da República tem um papel importante, com os poderes que detém, mesmo até de acompanhar, incentivar, dar respostas a alguns problemas, mas tudo tem limites.”

Já o líder parlamentar do Bloco de Esquerda explicou à TSF que “o Governo resvalou de uma posição dialogante para uma posição de anúncio de crise política”, acusando o Executivo de António Costa de “utilizar a praça pública para fazer pressão negocial”. Para já, diz, o documento terá aval do BE se este for “transformador da vida das pessoas”.

SAIBA MAIS
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de outubro era, no passado, a data-limite para a entrega pelo Governo da proposta de Orçamento do Estado no Parlamento. Com as alterações introduzidas no regimento da Assembleia da República, as datas alteram-se e o prazo-limite passou a fixar-se a 10 de outubro.

Calendário
Como o dia 10 de outubro calha, este ano, a um sábado –um dia em que a Assembleia da República não está em funcionamento – o Governo tem margem de mais dois dias para entregar a proposta de OE: até dia 12.
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