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Correio da Manhã

Política

“Portugueses querem mais e melhor”, diz Marcelo Rebelo de Sousa ao ser reeleito Presidente da República

Presidente começou e terminou o discurso invocando o combate à Covid-19.
Miguel Alexandre Ganhão(miguelganhao@cmjornal.pt) 25 de Janeiro de 2021 às 08:39
Marcelo Rebelo de Sousa, à saída da Faculdade de Direito de Lisboa onde pronunciou o seu discurso de vitória nas Presidenciais
Marcelo Rebelo de Sousa, à saída da Faculdade de Direito de Lisboa onde pronunciou o seu discurso de vitória nas Presidenciais FOTO: Bruno Colaço

Mais votos do que há cinco anos. A terceira maior percentagem da história das presidenciais em democracia, e o pleno em todos os concelhos do País, pela primeira vez desde 1976. Marcelo ganhou naturalmente à primeira volta, mas a vitória não é para o Presidente reeleito "um cheque em branco".

Para Marcelo o reforço da escolha significa duas coisas; "que os portugueses querem mais e melhor", e que o Presidente tudo fará para "rever o que ficou por ser revisto", uma alusão à Lei Eleitoral (que impediu o voto postal) e, por inerência à revisão da própria Constituição da República.

A pandemia dominou o discurso de Marcelo. Iniciou-o homenageando as vítimas mortais e todos os infetados com a Covid-19, bem como as respetivas famílias, e terminou com um apelo a incessante ao combate à pandemia. "O urgente do urgente é o combate à pandemia, Continua a ser esta a minha primeira missão", referiu.

Estabilidade e crescimento
Marcelo insistiu que esta reeleição é a escolha "por um Presidente que estabilize e que una. Que não seja um Presidente de fação", para depois voltar aos desafios que o País enfrenta numa conjuntura de pandemia. "Os portugueses não querem uma pandemia infindável. Não querem um sistema jurídico lento. Querem emprego e crescimento, e querem fundos europeus bem geridos em transparência e eficácia. Os portugueses querem combate à corrupção e à pobreza", acrescentou, adiantando, "estamos todos unidos neste combate".

Invocando a revolução do 25 de abril, Marcelo invocou o meio século da "revolução dos cravos", afirmando que "seria intolerável que nessa altura não possamos dizer que somos mais livres, muito mais desenvolvidos, muito mais iguais, muito mais justo, muito mais solidários do que éramos no início da caminhada".

"Temos que reencontrar o que perdemos na pandemia, refazer os laços desfeitos e quebrar as barreiras erguidas e fazer esquecer os medos instalados", concluiu o Presidente.

Perfil
Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa nasceu há 72 anos na cidade de Lisboa. Professor catedrático de Direito (jubilado), foi um dos fundadores do Partido Popular Democrático, depois Partido Social Democrata, tendo assumido a sua liderança de 1996 a 1999.

Presidiu aos Conselhos Científico e Pedagógico e ao Instituto de Ciências Jurídico-Políticas da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Foi professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas e da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa. Fez análise política desde os anos 60, esteve na fundação dos jornais Expresso e Semanário. Liderou a Assembleia Municipal de Cascais, foi vereador e líder da oposição na Câmara de Lisboa, à qual se candidatou e perdeu, em 1989, para Jorge Sampaio.

Para sempre ficará o mergulho no Tejo durante a campanha. Foi presidente da assembleia municipal de Celorico de Basto, terra da avó Joaquina. Confesso adepto do Sp. de Braga, vive em Cascais, tem dois filhos e cinco netos e namora com Rita Amaral Cabral desde os anos 80.

Cronologia
13h00
Votou na Junta de Freguesia de Lodares, no concelho de Celorico de Basto, distrito de Braga.

19h33
Chegou a casa, em Cascais, no seu carro particular, 15 m depois saiu para ir buscar o jantar.

21h01
Sai de sua casa em Cascais em direção à Faculdade de Direito de Lisboa, onde começou a falar às 23h45.

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