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Correio da Manhã

Política
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Portugueses vivem com medo de guerra em Moçambique

Ministro da Economia visita Moçambique e ouve empresários portugueses.
31 de Agosto de 2016 às 17:44
Manuel Caldeira Cabral com Miguel Frasquilho, presidente da AICEP, e José Macaringue, presidente da Facim, em Moçambique
Manuel Caldeira Cabral com Miguel Frasquilho, presidente da AICEP, e José Macaringue, presidente da Facim, em Moçambique FOTO: António Silva/Lusa
Empresários portugueses na Beira, centro de Moçambique, manifestaram ao ministro da Economia de Portugal preocupação com a crise económica que o país vive mas também com a segurança, devido ao conflito entre Governo e Renamo.

"Não encontrei uma perspetiva muito pessimista mas realista, e uma preocupação com a questão económica e as questões de segurança", afirmou, em declarações à Lusa em Maputo, Manuel Caldeira Cabral, que, na terça-feira, se avistou com empresários portugueses na Beira, segunda maior cidade moçambicana e capital da província de Sofala.

Esta província tem sido uma das mais atingidas pelas hostilidades entre as Forças de Defesa e Segurança e o braço armado da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido de oposição, e que se agravaram nos últimos meses.

Tanto na frente económica como na crise política e militar, segundo o ministro da Economia, "as pessoas esperam uma evolução positiva", lembrando que o investimento naquela região implica que os empresários circulem nas estradas, "o que os expõe a situações de insegurança quando há conflito".

O governante destacou que o perfil de investimento dos portugueses na Beira é diferente de Maputo e mais focado nos setores dos transportes, logística e agricultura.

"Há projetos muito interessantes mas é importante que seja assegurada a confiança e a segurança para que esses projetos se possam desenvolver sem incidentes", destacou.

Além do encontro com empresários portugueses, a deslocação de Manuel Caldeira Cabral à Beira incluiu uma visita a um projeto de investimento da Galp, avaliado em cerca de 150 milhões de euros, que visa criar capacidade de armazenamento de combustíveis na região.

As autoridades moçambicanas acusam a Renamo de uma série de emboscadas nas estradas e ataques nas últimas semanas, em localidades do centro e norte de Moçambique, atingindo postos policiais e também assaltos a instalações civis, como centros de saúde ou alvos económicos, como comboios da mineira brasileira Vale.

Alguns dos ataques foram assumidos pelo líder da oposição, Afonso Dhlakama, que os justificou com o argumento de dispersar as Forças de Defesa e Segurança, acusadas de bombardear a serra da Gorongosa, onde presumivelmente se encontra.

A Renamo exige governar em seis províncias onde reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder há mais de 40 anos) de ter cometido fraude no escrutínio.

As partes voltaram ao diálogo em Maputo, na presença de mediação internacional, mas não são conhecidos avanços.

A par da crise política e militar, a economia moçambicana vive um período de arrefecimento e está a ser atingida por uma forte desvalorização do metical, descida dos preços das matérias-primas e acentuada diminuição do investimento e da ajuda externa.

A crise que Moçambique atravessa levou a uma queda do investimento português de 80% no primeiro semestre, comparando com os primeiros seis meses de 2015, e a uma descida das exportações de 33% no mesmo período.

A agenda de três dias em Moçambique do ministro da Economia incluiu a abertura, na segunda-feira, da Feira Internacional de Maputo (Facim), encontros com empresários portugueses, reuniões bilaterais com alguns dos titulares das pastas económicas do executivo moçambicano e encerra hoje com um jantar da Câmara de Comércio Moçambique-Portugal.

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