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Correio da Manhã

Política
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André Ventura falta a debate mas reage e chama "cobarde" a Marcelo Rebelo de Sousa

Líder do Chega lamentou ainda que as rádios não tivessem permitido a sua participação no debate matinal por videoconferência.
Lusa 18 de Janeiro de 2021 às 16:49
André Ventura
André Ventura FOTO: Pedro Sarmento Costa / Lusa

O candidato presidencial do Chega acusou esta segunda-feira o seu concorrente e atual chefe de Estado de cobardia por preferir a extrema-esquerda aos partidos de direita, pedindo a intervenção do presidente do PSD, Rui Rio.

André Ventura referia-se ao facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter assumido esta segunda-feira, num debate a seis promovido pelas principais rádios portuguesas, que exigirá um acordo por escrito se se proporcionar um futuro Governo ou acordo de incidência parlamentar com a participação do partido da extrema-direita parlamentar.

"Palavras de um suposto Presidente de direita, dizer que vai exigir, se o Chega for para o Governo, um acordo escrito com o PSD. Marcelo Rebelo de Sousa não exigiu um acordo escrito ao PS, CDU e BE. Marcelo confia mais na extrema-esquerda do que nos partidos de direita em Portugal", lamentou, em novo comício em tempo de confinamento, em Viana do Castelo.

O deputado único da força política nacional-populista condenou ainda que o chefe de Estado tenha acusado o PSD de "ter dado palco e colocado o Chega como polo central da ação política", perante cerca de 50 pessoas, num restaurante em frente à praia do Coral.

"Um Presidente cobarde! Quando não estou presente, ousa dizer coisas como esta, mas quando foi à televisão, frente-a-frente, disse que não, que o Chega era um partido democrático, com a mesma legitimidade que todos os outros. Hoje, nas costas, diz que vai exigir acordo escrito porque não confia nem em Rui Rio nem em André Ventura", condenou.

O líder nacional-populista instou ainda o líder social-democrata, Rui Rio, a tomar uma posição sobre o assunto "ainda esta tarde", uma vez que Marcelo não exigiu o mesmo tipo de formalidade à denominada "geringonça" (PS, BE, PCP e "Os Verdes").

"Por isso eu faço daqui um apelo ao líder do PSD, que saia do confinamento em que se colocou para denunciar esta vergonha que hoje foi dita por Marcelo Rebelo de Sousa, de exigir a André Ventura e Rui Rio o que não exigiu a António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa", insistiu.

Ventura lamentou ainda que as rádios não tivessem permitido a sua participação no debate matinal por videoconferência, uma vez que tinha agenda em Viana do Castelo, ao contrário do que sucedeu no debate televisivo a sete na RTP, quando o Presidente da República participou virtualmente por estar sob suspeita de infeção pelo novo vírus SARS-Cov-2.

"Para Marcelo tudo, para André Ventura nada", insurgiu-se.

O deputado único do Chega respondeu ainda à concorrente do BE, Marisa Matias, que o acusara, pela manhã de cobardia por não ter comparecido ao debate radiofónico.

"Ainda bem para ela que eu não fui hoje ao debate. Porque ia ser mais um dia de coça", afirmou, estimando que a eurodeputada e dirigente bloquista "vai acabar a campanha com 3% ou 4%" dos votos.

No debate de hoje, sem a presença de André Ventura, a solução governativa encontrada no Governo Regional dos Açores, que junta PSD, PPM, CDS-PP, Iniciativa Liberal e Chega, foi novamente tema, com os candidatos a reforçarem as posições já conhecidas sobre a matéria e o Presidente recandidato a deixar alguns avisos.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que, em 2015, o seu antecessor, Aníbal Cavaco Silva, exigiu um acordo escrito entre a 'geringonça' de PS, PCP e BE, algo que não se verificou em 2019, uma vez que o atual chefe de estado "não tinha dúvidas" sobre a constitucionalidade dos partidos.

"Em relação aos Açores as dúvidas podiam levantar-se, e embora o processo fosse conduzido pelo representante da República no exercício dos seus poderes, ele fez muito bem em exigir acordos escritos porque havia dúvidas", argumentou.

Marcelo clarificou ainda que a nível nacional, "havendo dúvidas sobre o comportamento, aí faz sentido haver acordos escritos".

As eleições presidenciais realizam-se em plena epidemia de covid-19 em Portugal em 24 de janeiro, a 10.ª vez que os cidadãos portugueses escolhem o chefe de Estado em democracia, desde 1976. A campanha eleitoral começou no dia 10 e termina em 22 de janeiro.

Há outros seis candidatos: o incumbente Marcelo (apoiado oficialmente por PSD e CDS-PP), a diplomata e ex-eurodeputada do PS Ana Gomes (PAN e Livre), o eurodeputado e dirigente comunista, João Ferreira (PCP e "Os Verdes"), a eurodeputada e dirigente do BE, Marisa Matias, o fundador da Iniciativa Liberal Tiago Mayan e o calceteiro e ex-autarca socialista Vitorino Silva ("Tino de Rans", presidente do RIR - Reagir, Incluir, Reciclar).


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