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Correio da Manhã

Política
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PS acena aos centristas para governar nos Açores

Vasco Cordeiro terá de acertar posições com o CDS-PP se quiser maior estabilidade. Solução terá de contar com três partidos.
Wilson Ledo 27 de Outubro de 2020 às 08:50
Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores
Vasco Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores FOTO: Lusa
Os socialistas estão obrigados a negociar com o CDS para conseguirem uma maioria parlamentar e um governo mais estável nos Açores. Mesmo que Bloco e PAN alinhassem num acordo, os socialistas não conseguiriam juntar os 29 deputados necessários.

A solução deverá passar pelos centristas, com Artur Lima a garantir que não deixará a região em situação de "ingovernabilidade". Em 1996, quando o PS foi eleito na região sem maioria absoluta, o CDS deu a mão aos socialistas.

A repetição é vista como a mais exequível, mas a solução teria sempre de integrar um terceiro partido, bastando neste caso o PAN juntar-se. Ou, só em último recurso, um dos deputados ligados ao PPM, dada a relação tensa com o PS. Apesar dos sucessivos contactos, nem PS nem CDS a nível regional responderam ao CM.

Outro cenário possível, e mais drástico, é o de uma "geringonça à direita", com o PSD a alinhar-se com outras quatro forças políticas - uma repetição do que aconteceu no parlamento nacional em 2015. Apesar da empreitada, o CM sabe que os sociais-democratas não deitaram já a toalha ao chão, encetando conversações esta semana. O problema é o Chega: sem este, não será possível formar maioria, faltando dois deputados. José Manuel Bolieiro já avisou que não alinhará com "posições extremistas" e o Chega excluiu coligações só para que o PSD possa governar.

Resultado dá aviso interno a ‘chicão’
O líder parlamentar Telmo Correia desaconselhou a "euforia despropositada" no CDS, que perdeu um deputado. O recado surgiu após Francisco Rodrigues dos Santos dizer que o resultado é prova de que as notícias sobre a morte do partido foram "exageradas".

Relação dos partidos é diferente na região
A antiga líder do PSD/Açores, Berta Cabral, reconhece ao CM que as relações entre os partidos na região são diferentes do que acontece a nível nacional, permitindo, por exemplo, que o PS se alie aos centristas, como aconteceu em 1996 para garantir estabilidade parlamentar.

PORMENORES
Autonomia na solução
António Costa e Rui Rio atiram a solução de governo para as cúpulas regionais, com o líder do PSD a alertar que será difícil "juntar todos" à direita.

Bloco pede atenção
Pelo BE, o PS formará Governo mas só terá apoio medida a media. Assim, espera-se maior atenção de Vasco Cordeiro a exigências bloquistas no Orçamento regional. António Lima explicou que ainda não houve contactos por parte do PS.

PAN pronto para ouvir
Pedro Neves, que se estreia pelo PAN, está disponível para ouvir todos os partidos e ajudar a formar "um governo que dê as melhores opções para a região".
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