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Correio da Manhã

Política
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PS adia eleições em Comissão Nacional para dia 31 de outubro

Decisão serve para evitar que eleiçlões coincidam com o dia de reflexão das eleições regionais dos Açores.
Lusa 9 de Outubro de 2020 às 14:51
Carlos César
Carlos César FOTO: Lusa
O PS adiou de 24 para 31 deste mês a reunião da Comissão Nacional que decidirá a orientação do partido face às eleições presidenciais, evitando que coincidisse com o dia de reflexão das eleições regionais dos Açores.

Ao contrário do que antes esteve previsto, a reunião da Comissão Nacional do PS, que foi hoje formalmente convocada pelo presidente dos socialistas, Carlos César, já não procederá à análise do Orçamento do Estado para 2021 e do Plano de Recuperação e Resiliência, e terá como ponto único da ordem de trabalhos "a análise da situação política e as eleições presidenciais".

A reunião está marcada para o cineteatro Capitólio, no Parque Mayer, em Lisboa, a partir das 14:30 no dia 31 de outubro.

Nesta reunião da Comissão Nacional, é quase certo que será reprovada a proposta da corrente minoritária, de Daniel Adrião, no sentido de o PS realizar um referendo interno, por voto eletrónico, sobre o seu posicionamento face às presidenciais de janeiro de 2021. Ou seja, tal como tem sido prática deste partido em relação a eleições presidenciais, será novamente a Comissão Nacional do PS a assumir a orientação política sobre o posicionamento do partido face aos diferentes candidatos na corrida a Belém.

A maioria dos membros do órgão máximo do PS entre congressos parece inclinar-se para aprovar o princípio da liberdade de voto como orientação, apesar de já estar no terreno a candidatura presidencial da ex-eurodeputada socialista Ana Gomes.

Da mesma forma, também se prevê que esteja fora de questão um eventual apoio formal do PS à eventual recandidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa, embora figuras socialistas como o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, já tenham transmitido a sua intenção de votar no atual chefe de Estado.

Além de Ferro Rodrigues, também o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, ou o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, elogiaram a forma como Marcelo Rebelo de Sousa tem exercido o seu mandato de Presidente da República.

Já o primeiro-ministro, António Costa, em abril passado, durante uma visita que fez com o Presidente da República à fábrica da Autoeuropa, em Palmela, antecipou que Marcelo Rebelo de Sousa será reeleito chefe de Estado caso se recandidate.

Em entrevista ao jornal Expresso, no final de agosto, António Costa disse mesmo que, se Marcelo Rebelo de Sousa não se recandidatasse, existiria "um problema grave no conjunto do país, que dá isso por adquirido e se sente confortável com o Presidente".

No entanto, também avisou que não terá um envolvimento direto na campanha eleitoral das próximas presidenciais: "Sendo eu também primeiro-ministro, devo ser a pessoa que menos interfere nesse debate, porque terei de ter com o próximo Presidente uma relação institucional. Não vou interferir muito nessa campanha eleitoral", frisou.

António Costa procurou mesmo estender essa atitude de "recato" e "dever de reserva" sobre as presidenciais aos membros do seu Governo, mas sem ter conseguido com isso até agora um completo sucesso.

Na semana passada, o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, conotado com a ala esquerda do PS, contrariou uma posição favorável antes manifestada por Augusto Santos Silva face a uma recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa e sinalizou o seu apoio a Ana Gomes, defendendo que "não se deve confundir extremismo com coragem".

Perante os jornalistas, em Sines, Pedro Nuno Santos começou por apontar que a regra do "recato" sobre as presidenciais, requerida pelo primeiro-ministro, tinha sido quebrada por Augusto Santos Silva em entrevista à TVI, quando defendeu Marcelo Rebelo de Sousa e considerou que Ana Gomes não seria uma boa candidata para o PS apoiar.

"Temos de estar todos calados, mas a partir do momento [em] que temos um camarada a falar [Augusto Santos Silva], outra camarada a candidatar-se [Ana Gomes], é tempo de o PS se reunir. E, como sou camarada dos dois, da candidata e de quem pretendeu fazer comentários, cá está o meu" comentário, justificou.

Pedro Nuno Santos, apontado como potencial candidato à sucessão de António Costa na liderança do PS, afirmou depois gostar "de gente, homens ou mulheres, com coragem e que nunca se enganem ao lado de quem têm que estar, do povo, dos trabalhadores, das famílias, e ter sempre a coragem para enfrentar aqueles que, em cima, foram mais ou menos fazendo o que sempre quiseram do nosso país".

Ainda em resposta aos socialistas que criticam um alegado "radicalismo" de Ana Gomes, Pedro Nuno Santos deixou o seguinte recado: "As pessoas não servem para o PS para fazer umas coisas de vez em quando, serem eurodeputadas, serem candidatas à câmara municipal ou membros do Secretariado Nacional e, depois, de um momento para o outro, passarem a ser vilipendiadas porque não lhes dá jeito".

No plano político, porém, a sintonia entre Ana Gomes e o ministro das Infraestruturas não é objetivamente total, sobretudo em assuntos encarados relevantes para a ação governativa.

Enquanto a ex-eurodeputada socialista faz duras críticas à proposta do Governo para a revisão do Código de Contratação Pública, temendo que facilite a corrupção, o ministro das Infraestruturas tem considerado "decisivo" para o país a mudança da atual legislação, designadamente através da eliminação de normas que classifica como "burocráticas" e que colocam sérios entraves à concretização de projetos.

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