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Correio da Manhã

Política
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PSD diz que primeiro-ministro deu "puxão de orelhas" a três autarcas do PS do Norte por aumento dos casos de Covid

Os contágios aconteceram "em atividades sociais, festas, encontros de natureza familiar ou não familiar".
Lusa 22 de Outubro de 2020 às 14:17
António Costa
António Costa
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O PSD disse hoje que a reunião do primeiro-ministro com os presidentes de Paços de Ferreira, Felgueiras e Lousada sobre o aumento de casos de covid-19 foi "um puxão de orelhas" aos três autarcas do PS.

Segundo a distrital social-democrata do Porto, o "puxão de orelhas" foi também extensivo ao diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES).

"A deslocação do primeiro-ministro a Paços de Ferreira [na quarta-feira] só pode ser entendida como um puxão de orelhas, que apenas peca por tardio, uma vez que esta é a região do país com mais casos por 100.000 habitantes. Era público e notório, nos últimos dias, o pânico e o desnorte das autoridades sanitárias e municipais, quer pela adoção de medidas contraditórias, quer pelo discurso errante e incoerente", diz o PSD em comunicado.

Segundo a estrutura partidária, "a reunião que António Costa convocou, com caráter de urgência, é a prova inequívoca de uma descoordenação sem paralelo das autoridades de saúde local e da completa desorientação e inoperância dos presidentes das câmaras municipais, face ao desenrolar dos acontecimentos".

Ainda para o PSD, "as declarações do diretor executivo do ACES Tâmega III, Dr. Hugo Lopes, são absolutamente irresponsáveis, sem nexo e negligentes".

"Justificar o aparecimento de 944 casos nos últimos sete dias, com as ligações familiares, é uma justificação bizarra e, no mínimo, pouco séria, de alguém que é o responsável máximo pela gestão da situação pandémica na região e que, no meio de uma emergência, parece estar atarantado a gerir o caos", acrescenta a distrital.

O PSD/Poto assinala, por outro lado, que "a falta de ação e a descoordenação dos municípios nesta matéria, face ao risco de contágio numa região fortemente industrializada, com milhares de trabalhadores, é confrangedora".

"Não há conhecimento de um plano de contingência articulado com o ACES e as associações empresariais. Qualquer presidente de câmara minimamente diligente teria acionado este mecanismo, senão antes, logo a seguir ao levantamento do estado de emergência", acentua-se no comunicado.

De entre os três municípios, refere o PSD/Porto, "é claro um crescimento abrupto e anormal no concelho de Paços de Ferreira".

Já em Lousada, "a câmara também não tem tido, nem capacidade, nem iniciativa, para implementar as medidas preventivas e agilizar procedimentos".

Em Felgueiras, segundo os social-democratas, "o executivo municipal permanece confinado, deixando à deriva os centros de saúde, sobretudo nas diligências que se impunham junto do ACES".

Para a distrital social-democrata, "é urgente [o Governo] conferir prioridade a esta região, para interromper as cadeias de transmissão e travar, de imediato, esta disseminação inusitada da doença.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou na quarta-feira, em Paços de Ferreira, que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) terá "resposta para as necessidades" face ao previsível aumento de infeções pelo novo coronavírus na região do Vale do Sousa.

"Neste momento, aquilo que o presidente da Administração Regional de Saúde do Norte nos pôde assegurar é que, mesmo tendo em conta aquilo que é a previsão de aumento de pandemia na região [interior do distrito do Porto] ao longo das próximas semanas, haverá resposta do SNS para as necessidades de internamento geral e de internamento em cuidados intensivos", afirmou.

António Costa respondia à questão dos jornalistas sobre a capacidade de resposta do hospital de Penafiel, a unidade de referência de uma região com meio milhão de habitantes, que por estes dias tem enfrentado grandes dificuldades, com a insuficiência de profissionais.

"Da avaliação que foi feita sobre a capacidade de resposta no conjunto da região, nós não podemos olhar para cada unidade hospitalar como uma unidade isolada. Temos que olhar como uma peça de uma rede que existe em cada região", acrescentou o chefe do Governo.

Segundo o chefe do executivo, "não está em causa uma cerca sanitária, nem um confinamento obrigatório".

"Estão em causa medidas que visam conter a expansão da pandemia que tem origem em contágios iminentemente resultantes do convívio social", reforçou, sinalizando que a maioria dos casos, segundo as autoridades locais de saúde, não tem "ocorrido predominantemente em contexto laboral ou escolar".

Os contágios, assinalou, aconteceram "em atividades sociais, festas, encontros de natureza familiar ou não familiar", disse.

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