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Correio da Manhã

Política
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Rossio enche em pleno confinamento para ouvir Jerónimo de Sousa no centenário do PCP

Secretário-geral comunista recusa ser “força de apoio do PS” e ataca as políticas reacionárias da direita.
João Maltez e Salomé Pinto 7 de Março de 2021 às 09:32
Centenas de militantes comunistas juntaram-se no comício de ontem em Lisboa para comemorar os 100 anos do PCP
Centenas de militantes comunistas juntaram-se no comício de ontem em Lisboa para comemorar os 100 anos do PCP FOTO: José Sena Goulão/Lusa
Apesar do confinamento, centenas de militantes do PCP encheram este sábado a praça do Rossio, em Lisboa, para celebrar o centenário do partido e ouvir o secretário-geral comunista. No seu discurso, Jerónimo de Sousa pediu “a intensificação de todas as lutas” e recusou que o partido que lidera seja uma “força de apoio do PS”.

“Há muito provámos que as vitórias não nos fazem descansar e as derrotas não nos fazem render. Sabemos que vale a pena lutar, que o futuro não acontece, constrói-se e conquista-se”, reforçou.

O líder comunista também não poupou críticas à direita. Para Jerónimo de Sousa, “as forças reacionárias, a ação revanchista de PSD e CDS e dos seus sucedâneos, Chega e Iniciativa Liberal, visam a subversão da Constituição, fomentam o medo, tensões racistas, xenófobas e racistas. A direita quer um regresso ao passado”, insistiu. “E o PS no essencial não mudou”, atirou novamente o líder do PCP contra os socialistas.

Ao falar do projeto do seu partido, de “verdadeira alternativa”, Jerónimo de Sousa pediu “luta e convergência dos democratas e patriotas”, que “não se conformam com um país reduzido a uma simples região da União Europeia”. 

PORMENORES
Costa felicita partido
O primeiro-ministro, António Costa, felicitou o PCP pelo centenário do partido, congratulando-se com a “forma franca” como nos últimos anos se encontraram “respostas comuns” para os problemas de Portugal, com respeito pela identidade “de uma esquerda plural”.

Cinco líderes
Liderado por Jerónimo de Sousa desde 2004, o PCP já teve outros quatro secretários-gerais nas últimas décadas: José Carlos Rates (1923-1925), Bento Gonçalves (1929-1942), Álvaro Cunhal (1961-1992), Carlos Carvalhas (1992-2004).

Cavaco quer PSD a atrair eleitores do PS para regressar ao poder
O antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva defendeu este sábado que, para voltar ao poder, o PSD terá de conseguir atrair “eleitores que votaram PS” no passado, aconselhando os dirigentes sociais-democratas a evitarem falar sobre “outros partidos”, aludindo ao Chega.

Numa participação, por videoconferência, na Academia de Formação Política das Mulheres Sociais-Democratas, Cavaco Silva deixou fortes críticas ao atual Governo, mas também fez questão de falar para o partido que liderou, considerando que este tipo de iniciativas tem de debater “a estratégia mais adequada” para os sociais-democratas voltarem ao Governo. “Parece-me claro que o adversário político do PSD é o atual Governo e o partido de que ele emerge.”

Sobre o País, Cavaco afirmou que hoje vive “numa situação de democracia amordaçada” e considerou ainda que causam “vergonha” os números recentes da pandemia.
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