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Correio da Manhã

Portugal
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Aldeia que Salazar criou vai passar a museu vivo em Paredes de Coura

Autarquia quer preservar a memória deste lugar onde ainda vivem 50 pessoas idosas.
Nelson Rodrigues 5 de Maio de 2019 às 09:42
Antiga colónia fica no meio da paisagem rural de Chã de Lamas
Manuel Oliveira é um dos residentes
Florinda Barbosa foi das primeiras a ir para aldeia
Antiga colónia fica no meio da paisagem rural de Chã de Lamas
Manuel Oliveira é um dos residentes
Florinda Barbosa foi das primeiras a ir para aldeia
Antiga colónia fica no meio da paisagem rural de Chã de Lamas
Manuel Oliveira é um dos residentes
Florinda Barbosa foi das primeiras a ir para aldeia
A antiga colónia de Vascões, em Paredes de Coura, vai tornar-se num museu vivo. A câmara municipal quer que esta aldeia modelo, que Salazar criou na paisagem rural de Chã de Lamas, nos anos 50, preserve todas as memórias desde a implementação dos colonos, durante o Estado Novo, mas também os vestígios da presença humana naquele local desde sempre, tal como atestam as duas mamoas megalíticas.

"O objetivo é tornar Vascões num museu vivo da arquitetura, antropologia e etnografia daquele período da história e manter essa memória", refere a autarquia, que quer transformar a localidade, exemplar do modernismo português, "num centro de conhecimento e de atração turística".

A antiga colónia surgiu durante o modelo de reestruturação agrária do País, criado por decreto, em 1948. Os primeiros colonos chegaram ao local, a mais de 8 quilómetros do centro de Paredes de Coura, em 1957.

Na altura foram construídas 15 casas geminadas, uma escola primária e a ‘Casa do Professor’ - espaços que, em 1988, com a extinção da colónia, deram lugar ao Centro de Educação e Interpretação Ambiental (CEIA).

Localizado numa zona de lameiros, mato e pedras, o casario está distribuído por três ruas: de Cima, do Meio e de Baixo. Por ali, ainda permanecem 50 pessoas, sobretudo idosas.

"Trabalhava-se muito. Era duro, mas vivia-se bem, graças a Deus. Nunca passámos fome", disse Florinda Barbosa, de 87 anos, recordando os primeiros tempos na aldeia. "Trabalhava aqui muita gente, era uma maravilha. Agora não se encontra ninguém", frisou também Manuel Oliveira, 73 anos.
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