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Correio da Manhã

Portugal
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Bombeiro sobre tragédia de Penafiel: “Bebé morto vai ficar gravado para sempre”

Segundo comandante da corporação de Entre-os-Rios escreveu sobre o drama da perda de um bebé em serviço.
Aureliana Gomes 12 de Julho de 2019 às 08:48
José Filipe, segundo comandante da corporação de Entre-os-Rios
Dinis Medeiros
Dinis Medeiros era neto da mulher que sofreu ferimentos graves
Fernanda Carvalho não resistiu aos ferimentos e morreu
Sílvio Moreira morreu junto da filha e da ex-companheira
José Filipe, segundo comandante da corporação de Entre-os-Rios
Dinis Medeiros
Dinis Medeiros era neto da mulher que sofreu ferimentos graves
Fernanda Carvalho não resistiu aos ferimentos e morreu
Sílvio Moreira morreu junto da filha e da ex-companheira
José Filipe, segundo comandante da corporação de Entre-os-Rios
Dinis Medeiros
Dinis Medeiros era neto da mulher que sofreu ferimentos graves
Fernanda Carvalho não resistiu aos ferimentos e morreu
Sílvio Moreira morreu junto da filha e da ex-companheira
"Quem parte simplesmente vai embora, e somos nós, que ficamos, a dizer adeus". É desta forma emocionada que José Filipe, segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Entre-os-Rios, inicia um longo texto que divulgou no blogue pessoal.

O objetivo foi extravasar o misto de sentimentos vividos, na terça-feira, num acidente em Canelas, Penafiel, no qual morreram três pessoas, entre as quais Dinis, um bebé de 10 meses.

O homem, que dedica a vida a socorrer outros há 30 anos, escolhe a escrita para se libertar do sentimento de impotência perante a morte.

"Somos feitos de carne, mas nestas alturas temos de agir como se fôssemos de ferro, mas o problema é que, na realidade, ninguém é feito de ferro", escreveu. O texto está a ser partilhado nas redes sociais.

Na terça-feira, a tragédia bateu à porta de mais uma família, e José Filipe foi um dos bombeiros a prestar socorro. "Quando cheguei, já sabia que havia um bebé. Naquele momento pensei: outra vez? Vai ficar para sempre gravado na minha vida", lamentou, lembrando que, na sua atividade, já passou por três situações em que morreram crianças.

Apesar de ser formador de bombeiros, José Filipe refere que não há forma de ensinar a viver a morte. "São emoções muito fortes. Sou formador e, por mais que se tente, não há formações em que se ensine a agir perante isto", desabafou.

No longo percurso de bombeiro, não tem noção de quantas vidas já salvou, mas sabe bem as que perdeu. "Foram já 25 pessoas", lembrou, deixando claro que a força vai-se ganhando no dia a dia.
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