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Correio da Manhã

Portugal
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Lagoa fechada ao mar provoca morte de peixes em Sesimbra

Atraso na abertura ao mar da Lagoa de Albufeira começa a afetar todo o ecossistema.
Sofia Garcia 8 de Junho de 2019 às 10:14
Lagoa de Albufeira continua sem ligação ao mar
Algumas espécies de peixe aparecem mortas na Lagoa de Albufeira
Lagoa de Albufeira, em Sesimbra
Lagoa de Albufeira continua sem ligação ao mar
Algumas espécies de peixe aparecem mortas na Lagoa de Albufeira
Lagoa de Albufeira, em Sesimbra
Lagoa de Albufeira continua sem ligação ao mar
Algumas espécies de peixe aparecem mortas na Lagoa de Albufeira
Lagoa de Albufeira, em Sesimbra
Os pescadores e os produtores de bivalves da lagoa de Albufeira, em Sesimbra, estão preocupados com o atraso – mais de um mês – na abertura ao mar e temem que o pior aconteça.

"As águas estão paradas há muito tempo e a temperatura, principalmente no fundo, aumenta. Os mexilhões ficam sem oxigénio e já se vê peixes mortos", explica ao CM Hernâni Rodrigues, pescador.

Naquele local existem quinze concessões de viveiros de bivalves, que estão a ser afetadas com a poluição das águas, paradas há vários meses. As águas aquecem cada vez mais e têm sido como que a maternidade perfeita para uma espécie invasora, a Styela plicata. O maior prejuízo é no mexilhão – a espécie invasora agarra-se ao mexilhão e não o deixa respirar, provocando a morte deste.

Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), "a questão da abertura da lagoa ao mar revela-se determinante para a qualidade da água e para a viabilização das atividades humanas/económicas que aí se desenvolvem e que dependem da qualidade deste sistema natural, o que tem exigido a intervenção da APA no âmbito da realização periódica de operações de abertura de uma barra de maré".

A APA nota que "a lagoa de Albufeira tende a fechar a ligação ao mar devido ao assoreamento, sendo necessário proceder-se à abertura artificial de uma barra de maré, anualmente, nos meses que precedem a época balnear com o objetivo de evitar-se a eutrofização (crescimento excessivo de plantas aquáticas)".

Cada abertura da lagoa ao mar custa entre 40 a 50 mil euros.

Atraso coloca em causa o ecossistema
Nas últimas duas décadas, face a dificuldades e demoras dos organismos da Administração Central em proceder à abertura da lagoa de Albufeira, a Câmara Municipal de Sesimbra tem sido chamada a intervir no sentido de minimizar os prejuízos ambientais e económicos decorrentes das demoras de atuação das entidades competentes nesta matéria.

"A população tem questionado a autarquia sobre a abertura da lagoa ao mar, mas explicamos que este ano não é da nossa responsabilidade", diz Francisco Jesus, presidente da autarquia.

Sem data precisa de arranque da obra de abertura da lagoa, o autarca diz que este atraso compromete a época balnear e coloca em causa o próprio ecosssistema.

APA prevê contratar empreiteiro para abrir lagoa ao mar "nas próximas três semanas"
A Agência Portuguesa do Ambiente não avança com uma data para o arranque dos trabalhos. "A intervenção será efetuada em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra, decorrendo, de momento, o procedimento concursal para contratualizar os trabalhos", disse a APA ao CM.

A agência prevê a "finalização do procedimento e posterior contratualização nas próximas três semanas, reunindo-se assim as condições para dar início aos trabalhos na lagoa, imediatamente após a fase de contratualização, de forma a garantir o normal arranque da época balnear".

Segundo o site da APA, a época balnear em Sesimbra arrancou no início do mês nas praias da Califórnia e Ouro.

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