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Correio da Manhã

Portugal
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Maratona do Porto desclassifica 128 atletas por causa de atalhos

Tendência mundial é antiga. Videovigilância fundamental para confirmar ilegalidades.
Sérgio Pereira Cardoso 8 de Dezembro de 2019 às 10:00
Maratona contou com 5490 inscritos, sendo que 3762 finalizaram o percurso que passou por Porto, Matosinhos e Gaia
Maratona contou com 5490 inscritos, sendo que 3762 finalizaram o percurso que passou por Porto, Matosinhos e Gaia FOTO: RunPorto
A Runporto desclassificou 128 atletas que cruzaram a meta na 16ª edição da maratona do Porto sem terem percorrido a totalidade do trajeto, numa medida pioneira em Portugal que procura desmascarar uma tendência mundial.

"Até aqui fomos razoáveis, mas, este ano, decidimos dar uma pedrada no charco e desclassificar seja quem for. Dois deles são do meu clube, o Clube de Veteranos do Porto, pelo que não estive com pejo nenhum", frisou Jorge Teixeira, diretor-geral da Runporto.

Do lote, fazem parte 94 federados, com um tempo de ‘chip’ [dispositivo que atesta as passagens de cada atleta] abaixo das três horas, fixando a melhor marca nas 02h46m20s, mais 37,12 minutos do que o vencedor, o etíope Deso Gelmisa.

Com 26 anos de experiência na organização de provas de atletismo, Jorge Teixeira aguardou pelo investimento em câmaras de vigilância nos 14 pontos intermédios de controlo para confirmar uma tendência notada "há muito tempo".

O ‘clique’ surgiu durante a prova - realizada a 3 de novembro entre Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos -, quando o dirigente reparou no uso de um dorsal feminino por um atleta masculino, contrariando a regra da intransmissibilidade.

Entre alguns exemplos, constitui exclusão cortar caminho, repartir a distância por vários estafetas ou usar dorsais e ‘chips’ alheios. "Ainda bem que a linha do metro não está próxima do trajeto, senão havia mais desclassificados", atira.

Apesar de ser residual num universo de 5490 inscritos e 3762 finalizadores, este processo atesta "a seriedade e a honestidade" do evento que tem nível bronze da Associação Internacional. Futuros desclassificados podem mesmo vir a enfrentar processos-crime.
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