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Correio da Manhã

Portugal
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Moradores do Seixal reclamam 500 milhões de euros

Siderurgia Nacional acusada de ser responsável por pó preto nas ruas da Aldeia de Paio Pires.
João Saramago 5 de Setembro de 2020 às 10:55
Siderurgia é suspeita de libertação de pó preto
Siderurgia é suspeita de libertação de pó preto FOTO: Bruno Colaço
O Tribunal de Almada começou esta sexta-feira a julgar a ação popular cível contra a Siderurgia Nacional, na qual a Associação Terra da Morte Lenta aponta responsabilidades à empresa pelo acumular, durante seis anos, de pó preto em varandas, ruas e veículos, no Seixal. Reclama uma indemnização de 500 milhões de euros.

"Os moradores exigem a melhoria da qualidade do ar e que a empresa cumpra as normas ambientais", afirmou ao CM o antigo presidente da Junta de Freguesia da Aldeia de Paio Pires, João Carlos Pereira, uma das 50 testemunhas a serem ouvidas. Também o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, vai testemunhar dia 18, pelas 10h00, sobre o eventual impacto da poluição no Centro de Estágio do Seixal.

Segundo o advogado Miguel Santos Pereira, da sociedade SPASS, que fundou, em fevereiro do ano passado, a Associação Terra da Morte Lenta, e interpôs a ação popular, este será um "processo longo". De acordo com o advogado, há sessões marcadas até ao dia 16 de dezembro, duas vezes por semana. A indemnização tem por objetivo criar um fundo, que será explorado por várias entidades, como a Câmara do Seixal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge ou a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), com o objetivo final de "melhorar a qualidade do ar".

Recorde-se que, em maio do ano passado, a Siderurgia Nacional/Megasa acusou a associação de "litigância de má-fé" e pediu uma indemnização superior a um milhões de euros, como resposta à ação que considera resultar em "graves repercussões comerciais".
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