Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

Pescadores revoltados com a Segurança Social

Para efeitos de reforma só conta o dia o em que o peixe chega à lota e não o tempo que os pescadores estão no mar.
Ana Silva Monteiro 24 de Abril de 2019 às 08:48
José Monte trabalhou 42 no mar
Bernardino Faria presidente da AAPP
Pescadores revoltados prometem lutar pelos seus direitos
José Monte trabalhou 42 no mar
Bernardino Faria presidente da AAPP
Pescadores revoltados prometem lutar pelos seus direitos
José Monte trabalhou 42 no mar
Bernardino Faria presidente da AAPP
Pescadores revoltados prometem lutar pelos seus direitos
A revolta está instalada entre os pescadores, que veem os dias de trabalho serem mal contados pela Segurança Social, o que leva a reformas mínimas ou à falta delas.

Ou seja, os trabalhadores podem estar três dias no mar, mas só quando fazem a descarga do pescado na lota é que conta. 

Por isso, em vez dos três dias de trabalho a Segurança Social conta apenas um.

"Isto é um roubo. Então se eu vou para o mar na terça-feira e regresso na sexta, só me contam um dia de trabalho? É brincar com o nosso trabalho", diz Bernardino Faria, presidente da Associação de Apoio aos Profissionais de Pesca (AAPP), de Vila do Conde.

José Monte trabalhou 42 anos, mas só lhe foram contados 27. Em 2017, com 56 anos, pediu a reforma, mas para seu espanto recebeu uma carta a dizer que não tinha anos suficientes de trabalho para a receber. O pescador não esconde a revolta.

"Comecei a trabalhar aos 16 anos. Parei porque o meu corpo já está cansado de tanto trabalho. Mas depois de ter dado tanto de mim tenho de ser ajudado pelos meus filhos. É uma vergonha", diz José Monte, um dos muitos pescadores que não teve direito à reforma.

A luta da AAPP começou em 2013, mas a situação ainda não está resolvida.

"A secretária de Estado da Segurança Social escreveu um comunicado onde dizia que no caso dos pescadores da pesca local iriam contar três dias de trabalho por cada dia de venda de lota. Isso foi escrito mas não acontece" contou o presidente da Associação de Apoio aos Profissionais de Pesca, garantindo que se a situação não se resolver vai equacionar novas lutas.
Ver comentários