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Correio da Manhã

Portugal
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População está contra dragagens no rio Sado

Hoteleiros da região temem perder clientes, que procuram um tipo de turismo sustentável.
Sofia Garcia 7 de Outubro de 2018 às 09:30
População está contra dragagens no rio Sado
População está contra dragagens no rio Sado FOTO: Rui Minderico
A população e várias entidades estão preocupadas com o impacte ambiental do plano de ampliação do Porto de Setúbal, que inclui obras de dragagem no rio Sado. De acordo com algumas associações, as dragagens que a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) pretende levar a cabo para permitir a entrada de navios de maior dimensão vão provocar o desaparecimento de praias e trazer riscos para o habitat marinho.

"Querem fazer um buraco no rio do tamanho de 650 campos de futebol. Sempre que há dragagens acontecem desgraças ambientais", alerta José Pujol, do Clube da Arrábida, frisando que a APSS será a única beneficiada com a obra. "Isto vai gerar pobreza à volta do Porto de Setúbal.

A empresa que gere o porto vai ficar mais rica mas a cidade vai perder no turismo, na riqueza marinha", explica.
A comunidade de roazes corvineiros é outra das preocupações. "O estudo de impacte ambiental aponta que aquilo que os golfinhos comem, as suas presas, irão ser afetadas por estes trabalhos e por isso os golfinhos vão deslocar-se para outras zonas", avança a Quercus.

O setor hoteleiro também está contra as obras. "Terá um impacto gravíssimo pois o nosso turismo depende 100% de um cliente que pratica um tipo de turismo sustentável e não turismo fabril. As pessoas vão deixar de optar pela mais bela baía do Mundo. Para a hotelaria isto cai como uma bomba", diz Salvador Hollestein, gestor hoteleiro.

A autarquia de Setúbal alertou a APSS que pretende ser compensada pelos impactos da obra, exigindo uma "compensação de forma a mitigar ou anular os efeitos produzidos por este projeto", nomeadamente a diminuição da extensão de areal nas praias da Arrábida e o impacto negativo no turismo.
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