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Correio da Manhã

Portugal
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Reclusos ajudam a fazer presépio vivo de Priscos

Em quatro anos, a paróquia de Priscos gastou 90 mil euros e deu trabalho a 25 reclusos.
Secundino Cunha 7 de Outubro de 2018 às 09:31
Reclusos ajudam a fazer presépio vivo de Priscos
Reclusos ajudam a fazer presépio vivo de Priscos FOTO: Direitos Reservados
Seis reclusos da Cadeia de Braga estão a trabalhar nas estruturas do presépio vivo de Priscos no âmbito de um projeto de reinserção social dos presos, que completa quatro anos em dezembro.

Até agora, já passaram por este projeto único no País 25 reclusos, tendo a paróquia, que conta com o apoio da câmara municipal, no âmbito do Orçamento Participativo, gasto mais de 90 mil euros.

Cada recluso que presta serviço na paróquia de Priscos ganha 419 euros por mês (mais 42 euros que revertem para os Serviços Prisionais), podendo aceder de imediato a metade do dinheiro, ficando a outra metade para quando sair em liberdade.

"Isto é uma maneira de valorizar as pessoas que cumprem penas de prisão e de as ajudar a, quando em liberdade, conseguirem melhor reintegração social", disse ao Correio da Manhã o padre João Torres, que para além de pároco de Priscos é também o coordenador da Pastoral Penitenciária na Arquidiocese de Braga.

O sacerdote lamenta que este projeto seja "uma gota no oceano" e que não exista em Portugal uma aposta séria na reinserção social dos presos.

"Há muitos reclusos que deixam a prisão, sem projetos de vida ou garantias de reinserção. Ninguém sabe como toda esta corrida vai acabar. Um sistema prisional que não esteja aberto à esperança, não é humano! A esperança é muito contagiosa, mas precisa de ser injetada. É isto que me move nesta missão de ‘salvar’ pessoas detidas", afirma o sacerdote.

Louvando a atitude do guarda Ribeiro, encarregue da vigilância dos reclusos no presépio, o padre João Torres apela à realização de um estudo sobre os resultados da integração do Instituto de Reinserção Social nos Serviços Prisionais.
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