Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
7

55 milhões de euros caçados pela PJ e Marinha em alto mar

1102 quilos de cocaína estavam escondidos num compartimento secreto.
Sérgio A. Vitorino 5 de Junho de 2019 às 08:39
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Cocaína apreendida estava em 50 fardos escondidos num compartimento especial no interior do barco brasileiro, ‘Wood’. Foi mostrada na base do Alfeite
Os sete marinheiros foram contratados para levar o ‘Wood’, barco de pesca feito de madeira, com 15 metros, até ao centro do Oceano Atlântico, onde os 1102 quilos de cocaína escondidos num compartimento secreto seriam transferidos para outra embarcação capaz de realizar a viagem até à Europa.

Os dias foram passando e o sucessivo adiamento do transbordo deixou-os em pânico: estavam há duas semanas no mar, já sem comida, e desleixaram-se ao satélite nas conversas com os cabecilhas.

A Polícia Federal brasileira já havia avisado a PJ de que o ‘Wood’ largara, a 7 de maio, de Natal (estado do Rio Grande do Norte, Brasil) com a droga, avaliada em 55 milhões de euros. Em Portugal, tudo se pôs em marcha para a maior apreensão de cocaína do ano.

A 14 de maio, o patrulha oceânico ‘Setúbal’ - que estava no mar de prevenção para missões de busca e salvamento - foi chamado à base do Alfeite. Abasteceu e embarcou uma equipa do Destacamento de Ações Especiais da Marinha e inspetores da Judiciária.

O ‘Setúbal’ rumou a sul ao encontro do ‘Wood’, onde os sete marinheiros já diziam mal das suas vidas, apesar da frase inscrita na casa do leme: ‘O nosso crescimento vem de Deus.’ Viviam em dois beliches de três camas, a cozinha de 3 m2, uma sanita e arrumos. A droga estava sobre eles, no compartimento secreto na zona do motor.

O radar do ‘Setúbal’ acabou por reconhecer o ‘Wood’ a 21 de maio, 520 km a sul de Cabo Verde. A PJ não quis perder tempo ou "arriscar que o transbordo ocorresse e se perdesse o rasto à cocaína", como explicou esta terça-feira Luís Neves, diretor nacional da PJ. Às 02h00 do dia 22, os fuzileiros lançaram-se em botes e abordaram o pesqueiro. "Deixámos pouca margem à resistência ou violência", disse o comandante naval, vice-almirante Gouveia e Melo. Os marinheiros "contratados" foram detidos.

O barco foi conduzido para o Alfeite, numa maratona de 12 dias e 4 mil quilómetros que só terminou segunda-feira, dia 3, às 15h00.

Pormenores
"Reconhecimento"
Luís Neves destacou o facto de a apresentação da droga ter ocorrido na base do Alfeite. "É o reconhecimento da PJ à Marinha e Força Aérea pela ajuda no combate ao crime transnacional. Juntos colocámos Portugal num patamar muito elevado."

"Exigente e longa"
A PJ tem um elemento no Brasil junto da Polícia Federal. "A maior dificuldade foi ter sido uma operação mais exigente e longa do que o normal", disse Luís Neves, diretor da PJ. Foram 20 dias no mar para a guarnição de 44 do ‘Setúbal’, operacionais do DAE e inspetores da PJ.

Crimes graves
Luís Neves e o vice-almirante Gouveia e Melo destacaram que atrás do tráfico de droga existem crimes muito graves como raptos, homicídios, branqueamento de capitais, corrupção e, até, terrorismo.

"Aventura"
O diretor nacional da PJ diz que os sete traficantes, entre os 36 e os 64 anos (já em preventiva), seriam pagos "pela aventura de levarem tão longe o pequeno barco". Gouveia e Melo diz que a Marinha fez todos os possíveis por trazer o ‘Wood’ até Lisboa "para não se perder a prova".

Força Aérea auxilia
A Força Aérea é "parceira" da PJ e Marinha. O avião P3 segue alvos "à distância e com discrição" graças a sensores. A informação ajuda a PJ a decidir o momento e o DAE a melhor forma de abordar, diz o porta-voz, tenente coronel Manuel Costa.

Dois detidos ficaram doentes
Dois dos detidos adoeceram - hipotensão e diabetes - e tiveram de ser assistidos no ‘Setúbal’. Os militares tiveram de arranjar avarias no ‘Wood’.

Droga com marcas avança investigação
A PJ vai agora investigar a origem e os donos da cocaína, que tinha impressa nos pacotes marcas como o Real Madrid e a Louis Vuitton.

Ministros felicitam operacionais
A operação recebeu o nome Areia Branca, localidade pesqueira do Rio Grande do Norte. E mereceu a presença esta terça-feira, na base naval de Lisboa, dos ministros da Defesa, João Gomes Cravinho, e da Justiça, Francisca Van Dunem.

Assistiram a um briefing reservado sobre a missão e felicitaram, a bordo do ‘Setúbal’, os operacionais que participaram "na mais longa e complexa" missão do género, conforme afirmou Van Dunem. João Gomes Cravinho destacou que esta foi a "primeira grande missão" do ‘Setúbal’, no ativo há três meses. "Foi um trabalho notável de cooperação entre a PJ e as Forças Armadas", disse.

Os 1102 kg de cocaína apreendidos agora representam 1/5 do total de 5574 kg da mesma droga apreendidos em todo o ano passado - um aumento de mais de 100% de ‘coca’ apanhada em relação a 2017.

Devido a essa eficácia policial, o preço da grama da droga aumentou dos 52 euros (2017) para 76 euros (2018), de acordo com um relatório da PJ.
Ver comentários