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Correio da Manhã

Portugal
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Advogado de Sócrates diz que defesa soube da gravação no final do interrogatório

Delille garante que as filmagens não foram consentidas.
24 de Abril de 2018 às 23:20
José Sócrates
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A defesa de José Socrates garantira, esta terça-feira, que o antigo primeiro-ministro desconhecia que o seu interrogatório, no âmbito da Operação Marquês, estava a ser filmado. No mesmo comunicado, acusara o procurador Filipe Preces de mentir, depois de este ter dito, no programa Prós e Contras desta segunda-feira, na RTP 1, que tanto Sócrates, como os seus advogados, "sabiam perfeitamente" que estavam a ser gravados em vídeo e áudio. 

Porém, depois de um vídeo em que o próprio Delille aparece a esclarecer o antigo governante, dizendo-lhe que os advogados estão na posse das gravações, o causídico explicou ao Observador o que aconteceu, garantindo que não foram previamente informados. "Só no final do interrogarório soubemos que teria sido gravado", disse, acrescentando: "eu percebi que estava a ser filmando e fomos então informados".

Ao mesmo jornal, o advogado garantiu que tudo se terá passado no final do interrogatório. "Pedimos as cassestes e o engenheiro Sócrates disse que esperava que aquilo não fosse transmitido", avançou, acrescentando novamente que no auto "não consta" a realização das filmagens. 

Antes deste esclarecimento, num comunicado citado pela Lusa, a defesa do antigo governante garantira que "o Senhor Eng. José Sócrates e os seus advogados não foram informados que o interrogatório estava a ser filmado" – e, assim, sendo não o consentiram. "Do interrogatório nada consta sobre tal matéria. Aliás, no auto deste interrogatório não se mostra sequer consignado o início e o termo de cada gravação, ao contrário do que a lei obriga", sublinhou Delille.

"O Senhor Procurador faltou, pois, conscientemente e deliberadamente à verdade. Mentiu a todos os portugueses que o estavam a ouvir", conclui Pedro Delille, no referido documento, explicando a necessidade de "registar e desmentir publicamente tal falsidade".

Na passada sexta-feira, Sócrates anunciou que vai constituir-se assistente no processo-crime aberto pela Procuradoria-Geral da República sobre a divulgação dos vídeos que considerou um "crime" - e "os principais suspeitos são o procurador e o juiz" de instrução criminal da Operação Marquês, acrescentou.

O processo tem 28 arguidos, entre os quais o ex-primeiro-ministro, acusados de vários crimes económico-financeiros, nomeadamente corrupção e branqueamento de capitais.

José Sócrates, que chegou a estar preso preventivamente durante 10 meses e depois em prisão domiciliária, está acusado de três crimes de corrupção passiva de titular de cargo político, 16 de branqueamento de capitais, nove de falsificação de documentos e três de fraude fiscal qualificada.

A acusação sustenta que Sócrates recebeu cerca de 34 milhões de euros, entre 2006 e 2015, a troco de favorecer o ex-banqueiro Ricardo Salgado no Grupo Espírito Santo (GES) e na PT, bem como por garantir a concessão de financiamento da Caixa Geral de Depósitos ao empreendimento Vale do Lobo, no Algarve, e por favorecer negócios do Grupo Lena.

Além de Sócrates, estão acusados o empresário Carlos Santos Silva, amigo de longa data e alegado `testa de ferro´ do antigo líder do PS, o ex-presidente do BES Ricardo Salgado, os antigos administradores da PT Henrique Granadeiro e Zeinal Bava e o ex-ministro e antigo administrador da CGD Armando Vara, entre outros.

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