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Correio da Manhã

Portugal
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Julgamento de Rui Pinto adiado por 14 dias após mãe de juíza testar positivo à Covid-19

Ana Paula Conceição, uma das juízas do coletivo, irá ser testada à Covid-19.
Pedro Zagacho Gonçalves(pedrogoncalves@cmjornal.pt) 25 de Novembro de 2020 às 10:51
Rui Pinto
Rui Pinto FOTO: David Cabral Santos
As sessões de julgamento de Rui Pinto foram suspensas durante 14 dias, após a mãe de uma das juízas do coletivo, Ana Paula Conceição, ter testado positivo à Covid-19.

A juíza será testada à Covid-19, informou a juíza presidente do coletivo, Margarida Alves.

Decorria há cerca de 20 minutos a 27.ª sessão do julgamento do hacker e estava a ser ouvido Pedro Henriques, quando Ana Paula Conceição recebeu uma mensagem e saiu abruptamente da sala, assim como os restantes juízes do coletivo, Pedro Lucas e Margarida Alves.

Poucos minutos depois a juíza Margarida Alves voltou a entrar na sala do julgamento e informou que a mãe da juíza Ana Paula Conceição, de idade avançada, havia testado positivo à Covid-19.

Para além de Ana Paula Conceição, todos os juízes do processo e, eventualmente, caso algum dos juízes teste positivo, também alguns advogados terão que ser testados ao novo coronavírus.

Desta forma, e com a interrupção do Natal, é expectável que as sessões de julgamento só voltem a ser retomadas em janeiro de 2021.

Antes desta interrupção, estava previsto que Pedro Henriques, advogado com ligações a Nélio Lucas, CEO da Doyen, fosse ouvido sobre o crime de tentativa de extorsão imputado pelo Ministério Público (MP) a Rui Pinto e Aníbal Pinto.

Antes que a testemunha pudesse ser ouvida, o advogado de Aníbal Pinto tentou travar o depoimento, alegando que Pedro Henriques ter-se-á cruzado com outro mandatário de Aníbal Pinto, João Azevedo, e que em conversa "transmitiu de forma clara e agressiva que lhe desejava [a Aníbal Pinto] o dobro do que lhe estava a acontecer", realçando uma inimizade entre os dois advogados. A juíza Margarida Alves não deu razão ao advogado de Aníbal Pinto e indeferiu o pedido.

Pedro Henriques prosseguiu, relatando que conhece Nélio Lucas "desde pequenino" e que após a publicação de documentos da Doyen no Football Leaks, foi interpelado pelo amigo, que tinha recebido emails de Artem Lobuzov (diz o MP que era um pseudónimo de Rui Pinto). " determinada altura deu a entender que a divulgação era feita por aquela pessoa e pede uma quantia em 500 mil e um milhão de euros, como contrapartida para a cessação da divulgação", revelou.

"Para mim era claramente 'ou pagas e deixamos de publicar, ou a situação vai continua'", disse a testemunha. Afirmou que "a primeira reação foi participar as autoridades", identificando o caso como "uma situação de extorsão".

Quando são recebidas as 'instruções' sobre como deveria a Doyen proceder, Nélio Lucas informa Pedro Henriques que um dos pedidos era que "a situação fosse tratada entre advogados".

"Fiquei estarrecido. Como é possível? Até fui confirmar se existia o advogado que me indicavam, estava lá com o número de telemóvel", disse, referindo-se a Aníbal Pinto.

Pedro Henriques falou do 'famoso' encontro que teve com Aníbal Pinto e Pedro henriques, numa estação de serviço da A5, na qual percebeu e deduziu que "Aníbal Pinto já tinha patrocinado Rui Pinto [na altura Artem Lobuzov], numa situação idêntica [ataque ao Caledonian Bank, nas Ilhas Caimão]" e que o tema de conversa foi "para elogiar e dar força às capacidades do Artem Lobuzov".

Esclareceu que o encontro foi naquele local, "porque Nélio Lucas tinha ido ao funeral do antigo presidente do Sporting, Luís Godinho Lopes, e as circunstâncias levaram a que fosse ali".

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