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Correio da Manhã

Portugal
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Cabecilhas argentinos condenados a 18 anos por roubos violentos a bancos

Homens foram detidos pela Polícia Judiciária em Aveiro, em 2016.
Lusa 19 de Outubro de 2018 às 09:53
Dupla de assaltantes argentinos detida em Portugal
Tribunal de Monsanto
Tribunal de Monsanto
Tribunal de Monsanto, Lisboa
Dupla de assaltantes argentinos detida em Portugal
Tribunal de Monsanto
Tribunal de Monsanto
Tribunal de Monsanto, Lisboa
Dupla de assaltantes argentinos detida em Portugal
Tribunal de Monsanto
Tribunal de Monsanto
Tribunal de Monsanto, Lisboa
Dois dos homens mais procurados pelas autoridades argentinas desde 2003, detidos pela Polícia Judiciária em Aveiro, em 2016, e outros três arguidos, acusados de roubos violentos a bancos, conheceram esta segunda-feira as suas penas no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

Os cabecilhas argentinos, Rodolfo "El Ruso" e José Maidana foram condenados a 18 anos, El Ruso, e 18 anos e 10 meses, Maidana. Christian Schaerer foi sentenciado a 12 anos e Manuel Garcia a três anos e quatro meses. Jaime Fontes foi condenado a quatro anos.

O processo pertence ao Tribunal de Loures, mas o julgamento decorreu em Monsanto, por questões de segurança, tendo o coletivo de juízes, presidido por Elisabete Reis, que tem como adjuntos os juízes Ana Baptista e João Claudino, agendado a leitura do acórdão para as 14h00, após um primeiro adiamento ocorrido a 24 de setembro.

Rodolfo "El Ruso" Lohrman e José Horácio Maidana, de 53 e 57 anos, detidos preventivamente na prisão de alta segurança de Monsanto, em Lisboa, são suspeitos de, em 2003, em conjunto com outros elementos, do sequestro de Christian Schaerer, à data com 21 anos, estudante de direito e filho de um empresário da província de Corrientes, perto da fronteira com o Paraguai.

Os autores exigiram um resgate para a sua libertação, mas até esta sexta-feira o jovem nunca apareceu.

Segundo um documento a que a agência Lusa teve acesso, as congéneres policiais argentinas solicitaram às autoridades portuguesas a data do acórdão e autorização para marcarem presença na sessão, "por se tratar de um caso de enorme importância" para aquele país, já que se trata de um processo em que estão a ser julgados "fugitivos da justiça argentina".

Na resposta, o coletivo de juízes explicou no despacho judicial que, "sendo a leitura de decisão um ato público, nada [tem] a opor à presença de autoridades policiais argentinas".

Procurados pela Argentina desde 2003, detidos pela Polícia Judiciária em Aveiro, em 2016, Lohrman e Maidana (líder e número dois da organização criminosa), e mais três arguidos, estão acusados pelo Ministério Público de assaltarem, com violência, quatro bancos (três no concelho de Odivelas e um em Cascais), entre 2014 e 2016, conseguindo levar, ao todo, cerca de 235 mil euros, que foram transferindo para o estrangeiro, e furtado cinco viaturas.

Dos outros três arguidos - Manuel Garcia, guatemalteco, 32 anos, e Christian Gomez, 35 anos, de nacionalidade espanhola - estão em prisão preventiva ao abrigo deste processo, enquanto Jaime Fontes, português, 33 anos, está a cumprir pena por tráfico de droga, no âmbito de outro processo.

Nas alegações finais, o Ministério Público (MP) pediu uma pena nunca inferior a 15 anos de prisão para o duo Rudolfo "El Ruso" Lohrman e Horácio Maidana, mas também para o espanhol Christian Gomez, que, em julgamento, confessou alguns dos crimes.

Para o guatemalteco Manuel Garcia e o português Jaime Fontes, o MP pediu condenação a pena de prisão efetiva, que "dê uma imagem à sociedade de que a justiça não pode ser branda".

Os advogados da maioria dos arguidos apontaram, por seu lado, a fragilidade da prova e contradições nos depoimentos do arguido arrependido, admitindo a sua condenação por crimes menos gravosos, enquanto a defesa do cidadão espanhol salientou a sua contribuição para a investigação.

Quando foram detidos, em 16 de novembro de 2016, pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária (PJ), no momento em que se preparavam para assaltar uma carrinha de valores, Lohrman e Maidana apresentaram identidades falsas. Só meses depois é que a PJ descobriu as suas verdadeiras identidades, percebendo tratar-se de dois dos criminosos mais procurados pelas autoridades argentinas.

Segundo a acusação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso, antes de meados de agosto de 2014, os arguidos organizaram-se num grupo - que tinha "o seu modo de viver único e exclusivo" - para a prática de roubos a instituições bancárias em Portugal.

Escolhido o dia e hora do assalto, o grupo, liderado por Lohrman, atuava com grande violência.

Os arguidos estão acusados de associação criminosa e de vários crimes de roubo qualificado, furto qualificado, falsificação, branqueamento de capitais, detenção de arma proibida, condução sem carta, respondendo ainda alguns deles por falsas declarações.
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