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Correio da Manhã

Portugal
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"Entrei em pânico e fugi": arguido lembra agressão a Bas Dost durante ataque à Academia do Sporting

Vários arguidos que invadiram a academia estiveram esta 6.ª feira a ser ouvidos no Tribunal de Monsanto.
Sara Guterres 21 de Fevereiro de 2020 às 10:24
Ataque à Academia de Alcochete
Ataque à Academia de Alcochete FOTO: Direitos Reservados

Jorge Almeida, arguido no caso da invasão à Academia do Sporting, esteve esta sexta-feira a ser ouvido no tribunal de Monsanto. O arguido - que é um dos invasores - admitiu que esta não foi a primeira vez que se deslocou a Alcochete. Recordou uma visita na altura em que Sá Pinto era o treinador dos leões, no ano a seguir à derrota na Taça de Portugal com a Académica [2011/12].

O arguido confirmou que marcou presença no dia 15 de maio para dar uma palavra de "incentivo para a final da Taça [de Portugal]" e que destapou a cara por diversas vezes, inclusive quando falou com Manuel Fernandes.

Jorge Almeida disse que era "normal" os membros dos grupos se reunirem antes de partirem para a Academia. O arguido referiu ainda que foi atrás dos outros invasores e assumiu ter ficado surpreendido quando começou a ver tochas. Jorge Almeida revelou que não é sócio da Juventude Leonina e que não acompanha a claque.

"Não bati em ninguém", assegurou Jorge Almeida.

O arguido Paulo Patarra também foi ouvido e apenas pediu desculpa pelo sofrimento que causou no Sporting. Também Afonso Ferreira, outros dos invasores, admitiu que as motivações do ataque eram "dar pressão aos jogadores". "Tentei acompanhar o grupo, sou asmático", disse em tribunal.

"Quando vi o Bas Dost aos ombros de duas pessoas, entrei em pânico e fugi dali", revelou Afonso Ferreira esta sexta-feira.

Miguel Ferrão, outro dos arguidos que esta sexta-feira prestou declarações em Tribunal, disse que a intenção era dar um aperto aos jogadores, mas admitiu que nunca tinha estado em Alcochete. O arguido admitiu ter dito a William Carvalho que "não era digno de vestir a camisola" do Sporting e pediu-lhe a mesma.

"Na altura pensei logo que foi um erro enorme. Achei que foi um exagero. Nunca pensei que tivesse causado este dano psicológico aos jogadores", disse Miguel Ferrão, que acrescentou que conhecia William Carvalho, porque o jogador vivia próximo de um tio seu.

"Os jogadores foram os mais prejudicados, são eles as vítimas", afirma o arguido.

Miguel Maia, capitão de voleibol do Sporting e testemunha de Bruno de Carvalho, disse em tribunal que o presidente do Sporting era "fora do normal". "Estava presente e apoiava, era muito participativo. Era uma pessoa que queria ajuda", acrescentou.

Emanuel Calças, um dos invasores – era chefe do núcleo da Juve Leo - afirmou que foi "errado" ir pressionar os jogadores depois do que aconteceu na Madeira. "Organizámos um grupo no WhatsApp. Já tinha estado na Academia na mesma situação de ir pressionar os jogadores", acrescentou.

Para Emanuel Calças, se Mustafá tivesse ido a Alcochete não teria existido aquele "descontrolo". "Entrei no balneário e já havia fumo, já havia confusão", afirmou em tribunal.

Ainda durante o seu interrogatório, Emanuel Calças revelou que Bruno de Carvalho era contra a ida das claques à Academia: "Foi isso que ele demonstrou sempre", disse.

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