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Correio da Manhã

Portugal
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“Arrancaram-me o bebé das mãos”

Lígia Silva diz que o tribunal lhe retirou os filhos sem justificação.
Aureliana Gomes 6 de Novembro de 2016 às 01:45
“Arrancaram-me o bebé das mãos”
"O meu mundo desabou ali no hospital quando soube que o meu bebé ia ser institucionalizado." Já passou um mês e Lígia Silva continua sem perceber o que levou o Tribunal de Família e Menores de Matosinhos a retirar-lhe três dos quatro filhos menores, um dos quais dois dias depois de nascer, ainda no hospital. O tribunal baseia-se num relatório de técnicos da Segurança Social que indica que a mãe, de 33 anos, não tem condições psíquicas para cuidar dos filhos.

O caso remonta a 27 de setembro, quando Lígia deu entrada no hospital para dar à luz o quarto filho. Internada, foi informada de que as crianças (um menino de 3 e uma menina de 6 anos, de pais diferentes), que estavam com a avó materna, iriam ser entregues às avós paternas. "O bebé foi-me retirado quando eu estava a dar-lhe de mamar", conta a mulher, que pode visitar o filho, dia sim, dia não, num centro de Acolhimento em Vila Nova de Gaia.

Com quatro filhos, desempregada e com o marido detido na prisão de Custoias, Lígia começou a ser acompanhada pela Segurança Social em 2013, quando o filho mais velho (que não lhe foi retirado), deixou de frequentar a escola, alegadamente por ser vítima de bullying.

A relação com as técnicas foi sempre cordial, até junho deste ano, quando terão feito comentários do foro íntimo. O advogado, Aníbal Pinto, fala num "erro grosseiro de avaliação" que precisa ser corrigido.

"Este é um caso ridículo. O relatório da Segurança Social tem falhas que precisam ser retificadas", explica, lembrando que a lei é clara e "que só se pode tirar um bebé à mãe em perigo iminente, o que não é o caso".
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