Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
6

"Basta de mentiras": Gonçalo Amaral põe em causa testemunho de amiga dos McCann e crê que solução do caso Maddie "pode estar nela"

Ex-inspetor aponta falhas à investigação da polícia alemã e defende Polícia Judiciária.
Correio da Manhã 27 de Junho de 2020 às 20:28
Gonçalo Amaral
Gonçalo Amaral
Gonçalo Amaral
Gonçalo Amaral
Gonçalo Amaral
Gonçalo Amaral
O ex-inspetor da Polícia Judiciária, Gonçalo Amaral, afirmou este sábado durante uma entrevista à CMTV que "nada foi provado" até ao momento no caso do desaparecimento de Maddie da Praia da Luz, em maio de 2007, e acredita que "Portugal está em condições de resolver o caso Maddie".

Gonçalo Amaral relembrou que uma investigação cinge-se a factos e, a partir dos mesmos, são avançadas ou não conclusões. Segundo o ex-PJ, no relatório intercalar de setembro de 2007 sobre o caso do desaparecimento da criança inglesa foi dada a hipótese de ter ocorrido uma ocultação de cadáver. No entanto, Gonçalo Amaral relembra que não houve nenhuma acusação, numa alusão às mais recentes investigações da polícia alemã e inglesa.

Numa altura em que a polícia alemã tem novas pistas sobre o caso, Gonçalo Amaral referiu que, até ao momento, "nada foi provado".

Investigação alemã e reconstituição da imagem do suspeito alemão
Numa análise ao já divulgado retrato do suspeito alemão Christian Brueckner, o ex-inspetor não tem dúvidas: "não pode ser". Gonçalo Amaral explicou que está em causa o facto do alemão ter o cabelo curto na altura do desaparecimento de Maddie e os testemunhos darem conta de cabelo comprido. "Querem que as pessoas sejam reconhecidas? Então sejamos sérios", apontou o inspetor, que critica a divulgação de uma fotografia atual do suspeito ao invés da imagem.

Amaral mostra-se convicto de que o procurador alemão não leu o processo referente ao caso da menina britânica. "Quando o procurador alemão diz que o homem entrou pela janela, esqueça, não leu o processo", garantiu.

O ex-PJ frisou que os polícias alemães "não são incompetentes, são rigorosos", mas questiona se o novo suspeito alemão uma forma das autoridades resolverem o caso de forma "competente".

Quanto às autoridades inglesas, Amaral acredita que também estas "andam à procura de pedófilos que encaixem na teoria do rapto, sem provar que existiu um rapto".

Os cães pisteiros, trazidos pelas autoridades britânicas, detetaram sangue na casa, mas tais pistas acabaram por ser desvalorizadas. "Quem deu cabo dos resultados foi o laboratório inglês", referiu Gonçalo Amaral, que acusa o técnico laboratorial de tecer opiniões sobre resultados.

O ex-inspetor apelou aos investigadores do caso que leiam o processo do início ao fim sob pena de falharem na investigação. "Há coisas que faltam no processo", relembrou, apelando à continuação da investigação.

Amaral voltou a sublinhar que, atualmente, Christian Brueckner "é um suspeito quase perfeito, só falta estar morto".

Histórico clínico de Maddie podia ser essencial para investigação
Gonçalo Amaral recordou que histórico clínico de Madeleine McCann não foi disponibilizado às autoridades, um documento que poderia ser essencial para a investigação.

"Temos que perceber quem é a vítima. Os portugueses sabem tudo sobre a menina. Há pelo uma coisa que não sabem: o histórico clínico. Nem os pais o deram, nem as autoridades britânicas permitiram que acedessemos", afirmou o ex-PJ, que relembrou a marca que a menina britânica tinha no olho, uma imagem muito utilizada na divulgação do caso.

O documento citado poderia, segundo o ex-PJ, ajudar a perceber se a criança poderia ter problemas cardíacos devido aos efeitos do medicamento que lhe era administrado.

Na noite do desaparecimento de Maddie, Kate terá inclusive verificado várias vezes se os irmãos gémeos estariam a respirar. "Porque é que uma médica mãe passa a noite a verificar se os seus filhos respiram? Seguramente havia um risco", aponta Amaral, que acusa a mãe de não divulgar todos os pormenores no momento imediato à abertura de investigação.

"É tudo uma aldrabice", conclui Gonçalo Amaral ao recordar os relatos da família e dos amigos sobre os supostos esquemas de vigilância às crianças durante o jantar no restaurante do Ocean Club.

"Os pais deviam ter sido dados como suspeitos": Ex-inspetor defende reconstituição
O ex-inspetor "não tem dúvidas" de que a presença dos cães, a pedido de Kate e Gerry McCann serviu para contaminar as provas no interior do apartamento. "Não se pode estar a alterar provas", recordou.

Gonçalo Amaral defendeu mais uma vez a reconstituição do caso e reforçou a necessidade do regresso a Portugal do casal McCann e dos amigos a fim de detalharem o dia do desaparecimento da menina. "Os pais deviam ter sido dados como suspeitos e ser tratados como tal", reforçou.

Segundo o ex-inspetor, as autoridades portuguesas não tiveram, por exemplo, ao acesso às fotografias do jantar do dia do desaparecimento.

Importância dos telemóveis e testemunhas na investigação
Sobre o caso dos telemóveis e dos números de telemóvel associados durante a investigação à data do desaparecimento, Gonçalo Amaral tem dúvidas sobre a origem dos, associados recentemente ao suspeito alemão Christian Brueckner: "Alguém tem a certeza que esse telefone é desse senhor?", questionou, frisando que "pequenos pormenores como este fazem prova".

O ex-PJ acredita que se a polícia alemã soubesse que o número de telefone pertencia a Brueckner, "não precisava de andar à procura".

Entre as testemunhas no processo encontram-se vários amigos do casal McCann que se encontravam de férias na Praia da Luz na altura do desaparecimento.

"Já basta de mentiras", afirmou Amaral, numa alusão ao testemunho da amiga, Jane Tanner, que diz ter visto um homem com uma criança ao colo na noite do desaparecimento da criança. O inspetor referiu que Tanner mentiu no seu testemunho sobre hora, local e sentido em que avistou o homem e que deveria, no presente, prestar um "testemunho ajuramentado". "A solução pode estar nela", alertou o ex-inspetor.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)