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Correio da Manhã

Portugal
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Atropela bebé e foge

Um bebé com dois anos seguia no passeio ao lado da avó, da tia e da irmã a caminho de casa, na Amadora, quando desceu um degrau para a estrada. Acabou ontem violentamente colhido por um condutor que se pôs em fuga – e a força da pancada, na parte superior do corpo, projectou o corpo de André. "Estava desfigurado", descreve ao CM uma das vizinhas.
16 de Novembro de 2008 às 00:30
André ficou caído no passeio. José Mestre (na foto, à esquerda de Emílio Carvalho, bisavô do menino) socorreu a criança o melhor que conseguiu
André ficou caído no passeio. José Mestre (na foto, à esquerda de Emílio Carvalho, bisavô do menino) socorreu a criança o melhor que conseguiu FOTO: Manuel Moreira

"Chamei por ele e, assim que olhou para mim, começou a chorar". A mulher conta que a pancada deixou o menino "muito mal tratado. Gemia e tinha dificuldade em engolir." Na rua Eugénio de Castro, no Alto da Brandoa, foram muitas as pessoas que tentaram acudir ao bebé. Alertadas pelos gritos da avó e da tia, recolheram logo a irmã de André – uma menina de três anos que ficou sem acção. E depois tentaram ajudar o menino. José Mestre, vizinho dos avós de André, esteve sempre a seu lado. Segurou-lhe as mãos, evitando que ele as levasse à cabeça, ajudou-o a engolir, amparou-o até à chegada da ambulância (ver caixa).

Quanto ao homem que atropelou o bebé, de dois anos, seguia num Volkswagen Golf cinzento e "nem sequer abrandou", lamentam os moradores. "Se o apanhássemos, matávamo-lo".

Quando tudo aconteceu, André , ainda segundo os vizinhos, andava pelo passeio, e terá saído para a estrada no momento em que a viatura se aproximou. "Porque saiu? Agora só a avó e a tia é que poderão contar", sublinha José Mestre, ainda com a voz embargada.

CHEGOU AO HOSPITAL UMA HORA DEPOIS

André foi atropelado pelas 13h30 e, segundo os moradores, permaneceu estendido no passeio até depois das 14h00, à espera do INEM (Instituto de Emergência Médica).

"Nós ouvimos as notícias mas só quando nos chega à porta é que a gente vê a miséria que é", sublinha uma mulher, vizinha dos avós paternos de André, cuja a opinião é partilhada por outros, muitos moradores na rua. Ealguns gritam das varandas: "Foi uma vergonha. Uma vergonha"; "Dezenas de chamadas e nada." Contactada pelo CM, Ana Ros, porta-voz do INEM, adiantou que a primeira chamada caiu na central às 13h38 mas quem acorreu ao local foi uma ambulância da Cruz Vermelha Portuguesa. André foi transportado para o Hospital de Santa Maria, unidade de saúde onde entrou às 14h30, uma hora após o acidente.

POLÍCIA JÁ TEM A MATRÍCULA

Depois de o condutor atropelar o bebé e fugir, alguns moradores da rua Eugénio de Castro tiraram os dados da matrícula do Volkswagen Golf cinzento – e, ao que o CM apurou, já está nas mãos da polícia. O condutor em fuga é procurado e, no mínimo, incorre num crime de omissão de auxílio. Entretanto, os vizinhos queixam-se da rua onde os avós paternos de André moram por ser a única entrada no bairro. "Os carros têm de entrar todos por aqui", lamentam, lembrando que se trata de uma rua de sentido único que é atravessada muitas vezes em alta velocidade. "Ainda há um tempo, outra criança foi atropelada".

MAIS DADOS

OPERADO À CABEÇA

André foi transportado para o Hospital Santa Maria, em Lisboa, onde ao início da noite de ontem estava a ser operado à cabeça: "A zona mais atingida", segundo José Mestre.

MORA COM AVÓS

André e a irmã, Daniela, moram com os avós paternos e maternos. Os pais estão emigrados na Suíça, para onde partiram no dia 28 de Outubro.

ESCONDERAM DO BISAVÔ

Ninguém quis contar o sucedido a Emílio Carvalho, bisavó do André. "Quando vi toda a gente aqui perguntei o que tinha acontecido mas ninguém me disse. Só soube mais tarde."

 

 

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