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Correio da Manhã

Portugal
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João Rendeiro volta para prisão onde recebeu ameaças de morte e só conhece decisão na sexta-feira

Antigo banqueiro disse ao CM que não está a desafiar as autoridades portuguesas e que não vai regressar a Portugal.
Débora Carvalho 15 de Dezembro de 2021 às 07:14
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"Não estou a desafiar as autoridades portuguesas": João Rendeiro à entrada da carrinha celular

O ex-banqueiro João Rendeiro chegou esta quarta-feira às 8h30 (hora local) ao tribunal criminal de Durban, África do Sul, e teve de ser transferido de volta para a esquadra de Verulam por falta de luz nas instalações judiciárias. Devido à falta de condições, a audiência mudou para o tribunal de família, localizado à frente do tribunal criminal.

O ex-banqueiro disse à CMTV que não está a desafiar as autoridades portuguesas.

A audiência ao ex-banqueiro ficou marcada por várias falhas elétricas. Já na sala do tribunal de família, a sessão atrasou-se devido a uma falha informática. Momentos depois tiveram de mudar de sala por esquecimento de password do computador. 

A decisão sobre o pedido de libertação sob caução do ex-banqueiro João Rendeiro só ficará a ser conhecida às 09h00 de sexta-feira, através do magistrado sul-africano Rajesh Parshotam.

Esta quarta-feira, o magistrado ouviu durante cerca de três horas os argumentos da defesa, que propõe a libertação em troca de 40.000 rands (2.187 euros), e do ministério público sul-africano, que se opõe.

Declarações em tribunal
Durante a audiência, a defesa de João Rendeiro acusou a Polícia Judiciária de sensacionalismo e garante que ex-banqueiro foi ameaçado na prisão. Os advogados contestaram ainda os dois mandados de detenção e referiram que foram apreendidos três iPad's e quatro telemóveis sem mandado de apreensão.

João Rendeiro, citado pelo advogado, garante que está preso por pressão jornalística e que vive com poucos recursos. Ainda citado pela defesa, o antigo banqueiro garante que os bens estão arrestados em Portugal e que só tem conta nos EUA e na África do Sul.

"Tenho uma VPN que custa 12 dólares", afirma o advogado citando Rendeiro. 

A defesa leu a biografia de Rendeiro e referiu que o ex-banqueiro foi alvo de várias acusações no âmbito do colapso do BPP e que esses processos "foram injustos".

"Tenho uma mulher em Portugal", afirmou Rendeiro citado pelo advogado, referindo ainda que devia sair sob fiança e que está preocupado com a Covid-19 que se espalha muito rapidamente nas cadeias. 

A defesa de Rendeiro propõe fiança de cerca de dois mil euros e apresentações periódicas. 

O Ministério Publico leu uma cronologia dos factos, relembrou os crimes cometidos por João Rendeiro e acusou o ex-banqueiro de gozar com Portugal. O procurador referiu ainda que Rendeiro tem família em Portugal e não pode ser visto como residente na África do Sul, onde nem tem imóveis.

Depois do MP alegar que o ex-banqueiro tem três passaportes, o advogado pediu um intervalo para discutir com o cliente.

O advogado de Rendeiro referiu que o seu cliente é pobre, não tem trabalho e que não há nada que diga que vai ficar na África do Sul até ao fim do processo de extradição. A defesa alertou que não há nada que diga que Rendeiro vai para Portugal e o juiz abanou a cabeça demonstrando que concordava com a afirmação. 

"Enquanto aguardamos a extradição, o meu cliente deve estar em liberdade", afirmou a defesa, alertando que João Rendeiro também não pode ficar na prisão devido "aos medicamentos".

A sessão desta quarta-feira terminou com o juiz a pedir provas das reservas na Guest House. A próxima sessão ficou marcada para sexta-feira às 9h.

O advogado revelou ainda que a mulher de João Rendeiro se preparava para ir ter com o ex-banqueiro à África do Sul.

Antes do fim da audiência, o procurador do MP fez mais uma intervenção e terminou a questionar que garantias tinha de que Rendeiro não ia fugir da África do Sul se ficasse em liberdade sob fiança.

O ex-banqueiro saiu do tribunal e regressou à prisão de Westville, na África do Sul, uma cadeia de alta segurança onde impera a violência.


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