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Correio da Manhã

Portugal

Autarca de Proença-a-Nova refere "insuficiência de meios" na fase inicial

João Lobo avançou que os bombeiros feridos nos incêndios estão fora de perigo.
Lusa 14 de Setembro de 2020 às 22:25
Incêndio de Proença-a-Nova alastra a mais dois concelhos
Incêndio de Proença-a-Nova alastra a mais dois concelhos FOTO: CMTV
O presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova, João Lobo, considerou esta segunda-feira que "houve insuficiência de meios" na fase inicial do combate ao incêndio que deflagrou no domingo naquele concelho do distrito de Castelo Branco.

"Foi um fogo muito rápido na sua progressão e houve, de facto, insuficiência de meios na sua parte inicial", refere o autarca num comunicado enviado à Lusa, sobre o ponto de situação do incêndio que "continua ativo" e atinge, também, os concelhos de Oleiros e Castelo Branco.

João Lobo justificou a afirmação com o exemplo da povoação das Fórneas, que esteve "sem carros de combate" e onde "a população teve de se unir e fazer um esforço para salvaguardar a aldeia".

O autarca aproveitou, ainda, para salientar "a importância das faixas de gestão de combustível" na prevenção e proteção das populações em caso de incêndio florestal.

"As Fórneas, e bem, fez essa faixa e foi exatamente por isso que, com a gravidade de todo o cenário, houve capacidade de contenção do incêndio e, depois, de combate mais eficaz", assinalou.

O presidente da câmara adiantou que "Dáspera foi a mais afetada" pelo incêndio, que atingiu também as povoações de Cunqueiros, Travesso, Herdade, Esfrega, Mó e Alvito da Beira, uma vez que o fogo "penetrou no núcleo da aldeia", embora sem criar danos em casas de habitação "também muito por influência da população" que teve, depois "o apoio dos bombeiros durante a noite".

Apesar de o fogo ainda estar ativo, o autarca revelou que já havia, "na manhã desta segunda-feira [hoje]", equipas do município a fazer "um primeiro levantamento dos danos e das necessidades das populações" relativamente à parte agropecuária e aos danos nas infraestruturas, para "tentar perceber o tamanho desta que já é uma tragédia" devido à "área imensa de devastação" que provocou.

João Lobo apontou o "problema que é a gestão florestal e a continuidade, ao longo dos anos, dos ciclos de fogo que vão dizimando a capacidade de gerar riqueza através da floresta e dos seus ativos", para repartir entre os municípios e a administração central a responsabilidade de encontrar "soluções pensadas, rápidas e que se traduzam em ação".

"Apesar das medidas que têm vindo a ser tomadas, tem, de uma vez por todas, de haver resposta para um problema com consequências gravíssimas que se traduzem no definhamento destes territórios, no seu despovoamento e na falta de capacidade de voltar a gerar riqueza a partir da floresta", defendeu.

A finalizar, João Lobo deixou uma palavra para os bombeiros que ficaram feridos e enalteceu o facto de que, "neste momento, nenhum deles se encontra em perigo", mas lembrou que "dois deles ficarão com sequelas devido às queimaduras que sofreram".

O presidente da câmara referia-se aos dois bombeiros que no domingo sofreram ferimentos durante o combate ao incêndio de Proença-a-Nova, que estão "estáveis" e a recuperar nos Hospitais da Universidade de Coimbra, segundo disse à agência Lusa uma fonte hospitalar.

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) conta dominar na próxima madrugada o incêndio de Proença-a-Nova.

"Com o conjunto de indicadores com que trabalhamos - número de efetivos, equipamento à disposição e os indicadores meteorológicos, nomeadamente o vento - contamos durante a madrugada dominar o incêndio", adiantou o comandante operacional de Agrupamento Distrital do Centro Sul.

Em conferência de imprensa, já depois das 19:00, o comandante operacional deste agrupamento, Luís Belo Costa, disse que "um pouco mais de 50% do perímetro" está dominado, dos quais 30% já estão consolidados com "excelente trabalho das máquinas de rasto".

Para dar uma dimensão da grandeza de um fogo "muito grande", numa avaliação ainda muito preliminar, o responsável pelas ações de combate acrescentou que as chamas já terão consumido uma área muito próxima dos 15 mil hectares, correspondente a cerca de 60 quilómetros de perímetro.

Às 21h00, o incêndio estava a ser combatido por 1027 operacionais, apoiados por 343 veículos. No combate às chamas, ao longo do dia também chegaram a estar cerca de 16 meios aéreos. 

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