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Correio da Manhã

Portugal
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"Autoridades portuguesas tinham interesses": Ana Gomes lamenta inação relativamente a negócios de Isabel dos Santos

Socialista insiste na acusação de conivência de antigos governantes portugueses com empresária angolana.
Janete Frazão 24 de Janeiro de 2020 às 01:30
Ana Gomes
Ana Gomes
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Ana Gomes acusa as autoridades institucionais e políticas portuguesas de "conivência" com os negócios de Isabel dos Santos. "Tinham interesses, houve cumplicidade", disse a socialista à RTP.

"Desde 2015 que ando a alertar as autoridades. Não podiam alegar desconhecer", assegurou Ana Gomes, que sustenta a inação com "o sinal político que era dado". O exercício, diz, é simples: "Desafio a fazer uma lista dos membros de governos dos últimos anos de qualquer partido que estão hoje em empresas de Isabel do Santos."

Na mesma entrevista, a ex-eurodeputada apontou o dedo ao Banco de Portugal. "Era óbvio que o EuroBic era uma lavandaria", começou por dizer, certa de que o presidente-executivo da instituição, Teixeira dos Santos, "não é hoje mais do que empregado de Isabel dos Santos". Ana Gomes defendeu mesmo a demissão do ex-ministro das Finanças. "O BdP tinha competência para demitir Teixeira dos Santos. O povo vai pensar: ‘Isto é tudo uma pandilha! Estão todos feitos uns com os outros’. Infelizmente, estão."

Os alvos da ex-eurodeputada do PS não se ficaram por aqui. "Não é por acaso que Isabel dos Santos deu trabalho às grandes sociedades de advogados", referiu, exemplificando com o caso da Vieira de Almeida, que vê como uma situação de "promiscuidade", dado que "presta assistência jurídica ao BdP". Mas não só: "Uría Menéndez - Proença de Carvalho. Proença de Carvalho", frisou. "Não percebo como é que se esse senhor ainda não respondeu pela participação num caso de corrupção de um magistrado português, que é o Processo Fizz. Está demonstrado que esteve envolvido nesse esquema."

Ana Gomes considera ainda que Portugal está exposto "ao Mundo como um país-lavandaria" e, por isso, espera consequências práticas no Luanda Leaks, ao contrário do que aconteceu com outros casos.

Angola melhora com reformas trazidas por João Lourenço
Angola subiu 19 posições e melhorou a pontuação no Índice de Perceção da Corrupção, que destaca as "melhorias significativas" registadas pelo país.

O relatório, que coloca, ainda assim, Angola entre os países a monitorizar, assinala as reformas introduzidas pelo governo de João Lourenço para combater a corrupção após a mudança de eleitoral de 2017.

Portugal perde terreno no ranking da corrupção
Portugal recuou dois pontos no Índice de Perceção da Corrupção, passando de 64 pontos em 2018 para 62 em 2019. O País fica abaixo da média verificada na União Europeia (64), pese embora mantenha o 30º posto, a par do Qatar, Barbados e Espanha. Considerando apenas a UE, Portugal é o 13º Estado-membro com menos corrupção entre os 28 (o Reino Unido ainda figura nos dados, apesar do Brexit), ficando, assim, a meio da tabela.
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