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"Bateram-me como se eu fosse um animal": Mulher que acusa PSP de agressão na Amadora em exclusivo à CMTV

Cláudia Simões revelou a sua versão dos factos do que se passou na Amadora, após um desacato num autocarro.
Correio da Manhã 22 de Janeiro de 2020 às 23:13
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Cláudia Simões revelou a sua versão dos factos do que se passou na Amadora, após um desacato num autocarro.
Cláudia Simões, a mulher de 42 anos detida no domingo por um agente da PSP a quem acusa de a ter agredido, falou em exclusivo à CMTV onde contou a sua versão dos factos do que aconteceu naquela noite após um desacato num autocarro, na Amadora.

"Estava a sair do Centro Comercial Babilónia (na Amadora), onde tinha ido comprar um telemóvel, quando apanhei o autocarro com o meu sobrinho e a minha filha. O motorista começou a dizer que a minha filha tinha que sair porque não tinha passe. Disse-lhe que ia ligar ao meu filho para ele ir levar o passe à paragem perto de minha casa. Não obtive resposta dele", começa por contar a mulher.

A queixosa, que após ter sido presente a juiz ficou com termo de identidade e residência, revela que os "ânimos se exaltaram" quando uma senhora de nacionalidade brasileira entrou no autocarro com a filha de quatro anos pela mão.
"Ele [o motorista] disse-lhe que teria de abandonar a camioneta porque a filha não tinha passe e ela respondeu-lhe que já tinha viajado várias vezes sem o passe da menina. Foi então que ele começou a gritar e a insultá-la. Dizia que tínhamos vindo para a terra deles estragar tudo. Eu nunca intervi na conversa porque estava ao telefone a resolver um problema familiar mas houve uns senhores africanos que interviram", conta Cláudia.

Foi então que o motorista terá avistado um agente da PSP, durante uma das paragens do autocarro, e o chamou. "Veio falar comigo. Estava a gritar muito. 'Acendia os olhos' e gritava na minha cara", recorda Cláudia. A mesma afirma que foi detida porque questionou o polícia sobre se este se encontrava de serviço.

"Algemou-me e obrigou-me a sentar no chão (...) Foi aí que ele me fez um mata-leão e caímos os dois ao chão. Começámos a lutar e eu mordi-lhe o braço para me conseguir libertar. Ele estava muito nervoso, muito alterado", explica a mulher às câmaras da CMTV.

Cláudia garante ter sido esmurrada com violência por vários agentes da PSP dentro do carro-patrulha, quando estava a ser levada para a esquadra. "Eu gritava por socorro mas eles aumentavam o som da rádio. Quando cheguei à esquadra já estava quase inconsciente, já não via bem", afirma.

A mulher recorda-se que começou a sangrar quando um dos agentes lhe disferiu um pontapé no "meio da cara". Cláudia alega que a PSP acabou por chamar os bombeiros que a vieram socorrer e a levaram de ambulância para o hospital.

"Antes de irmos o meu marido apareceu lá e abriu a porta da ambulância. Mas eles começaram a trancar a porta para que ele não entrasse. Foi aí que me levaram a carteira onde eu tinha todos os documentos e o telemóvel. Fui sozinha para o hospital com os bombeiros", conta.

Mais tarde, já internada, Cláudia recorda ter sido informada por outro agente da PSP que teria de se apresentar a tribunal no dia seguinte e que para isso teria de assinar um documento.

A mulher, que foi constituída arguida no processo, recorda com amargura as agressões das quais foi vítima e lamenta o tratamento do qual foi alvo. "Bateram-me como se eu fosse um animal".

Tudo aconteceu ao início da noite do passado domingo. Cláudia Simões acusa a PSP do Casal de São Brás, Amadora, de a ter detido e espancado em frente à filha de oito anos. A Direção Nacional da PSP diz que a mulher empurrou várias vezes o polícia, que foi ainda pontapeado e empurrado por outras pessoas que estavam no autocarro.
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