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Correio da Manhã

Portugal
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Chefe da guarda prisional recebia 150 euros por cada telemóvel que introduzia na cadeia de Paços de Ferreira

Artigos eram entregues ao recluso Horácio Almeida em horários em que não houvesse muita gente a circular.
Nelson Rodrigues 19 de Fevereiro de 2021 às 00:28
Cadeia de Paços de Ferreira
Cadeia de Paços de Ferreira FOTO: Catarina Gomes de Sousa

Por cada telemóvel que introduzia na cadeia de Paços de Ferreira, o chefe da guarda prisional recebia 150 euros. Para dentro da cadeia, José Coelho levava ainda elevadas quantidades de haxixe, cocaína e heroína - tudo a troco de dinheiro. Todos os artigos eram entregues ao recluso Horácio Almeida. "Foi ele que me propôs este negócio. Primeiro foram os telemóveis que as minhas namoradas lhe davam, em encontros em Santo Tirso, para eu vender lá dentro. Depois passou a dar-me também droga e cartões de telemóvel que eu deixava em locais que ele me indicava", contou Horácio, que prestou declarações na ausência dos restantes 19 arguidos do processo por ter "muito medo".

Os artigos eram-lhe sempre entregues em horários em que não houvesse muita gente a circular - e deixados junto a caixotes do lixo e no balneário. Horácio explicou que os arguidos Joel Rodrigues e Diamantino Oliveira, considerados os cabecilhas do tráfico na cadeia, também participaram no esquema.

Outro arguido que confessou os factos em tribunal foi Carlos Rocha - que assumiu ter escavado um buraco na sua cela para guardar a droga. Recebeu um grama de haxixe - vendido na cadeia por 40 euros. Diz que aproveitou um dia em que os guardas estavam em greve. "Infelizmente sou drogado e o Mário Barros [arguido conhecido por ‘Toma Já’ e que está em liberdade] pagou-me para eu fazer aquele poço. Usei um ponteiro e um martelo e escavei entre a sanita e a cama. Vi-me lixado para o fazer", assumiu.

Carlos Rocha garante estar "aterrorizado" e que já chegou a ser agredido para não denunciar o esquema. "Cheguei a ver um recluso ser espancado, amarrado e outros presos a colocarem-lhe os pés dentro de uma bacia com água, cheia de fios elétricos, para ser torturado", descreveu em tribunal.
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