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Correio da Manhã

Portugal
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Ao minuto Atualizado às 17:53 | 01/10

Rui Pinto acedeu a caixa de correio do advogado João Medeiros e descarregou 288 mil ficheiros

Inspetor da PJ José Amador continua a prestar esclarecimentos sobre a investigação.
Pedro Zagacho Gonçalves 1 de Outubro de 2020 às 09:33
Rui Pinto em tribunal
Rui Pinto em tribunal FOTO: MARIO CRUZ/LUSA
Ao minuto Atualizado a 1 de out de 2020 | 17:53
17:53 | 01/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Terminou a oitava sessão do julgamento de Rui Pinto. Na próxima sessão vai continuar a falar o especialista José de São Bento e será também ouvido outro especialista da PJ, Afonso Rodrigues, que analisou a máquina virtual que estava no disco apreendido a Rui Pinto. Na sessão seguinte será também ouvida a inspetora da PJ Carla Cristina Ferreira.
17:52 | 01/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Foi mostrado também que, nos links ‘Favoritos’ dos vários browsers utilizados por Rui Pinto havia "manuais e explicações" de como "fazer decifrar palavras passe", bases de dados sobre fragilidades dos vários sistemas operativos e artigos sobre como criar sites ‘falsos’ para esquemas de phishing, com o objetivo de capturar palavras passe e credenciais de acesso secretas.
17:37 | 01/10
Até agora estiveram a mostrar documentos e ficheiros que estavam no disco RP 3, um dos 12 apreendidos a Rui Pinto.

Foram mostradas as caixas de correio configuradas no computador de Rui Pinto que, explicou o especialista da PJ, estavam preparadas para enviar e receber emails. Mostrou também o sistema que permitia fazer download automático de ficheiros destas caixas de correio ‘roubadas’ e organizá-los imediatamente. Mostrou também os acessos guardados no porta chave do sistema: "era [uma área] muito populaça do sistema" e deu alguns exemplos.

Foram mostrados ficheiros descarregados através do alegado acesso ao computador de João Medeiros, da PLMJ. Havia registo de 288 mil ficheiros retirados desta conta, qualquer coisa como quase 19 GB de informação.

Mostrou vários documentos a que se tinha referido anteriormente, como um screenshot do computador de Rui Pinto que mostra os acessos da PLMJ alegadamente roubados e, ao mesmo tempo, há registo de acesso à máquina virtual que o hacker terá configurado, para aceder remotamente aos computadores da sociedade de advogados.

Foi mostrado um documento interno do Ministério Público que datava de 9 de outubro de 2018 (a sua elaboração) e que estava com data de último acesso no computador de Rui Pinto de 27 de outubro de 2018, poucas semanas depois de ter sido produzido.
15:55 | 01/10
Segundo o especialista, Rui Pinto teria mais de 300 páginas em código HTML que seriam cópias, por exemplo, da FPF ou da PLMJ, que permitiam que, através de um link enviado, as credenciais de acesso dos utilizadores fossem roubadas sem que estes percebessem.

Estão a ser mostrados alguns ficheiros e páginas num computador, os quais não serão mostrados aos jornalistas. 
15:41 | 01/10
Falou o especialista da PJ José Luís São Bento, que não acompanhou o desenrolar da investigação desde início, mas explicou que foi o responsável pela análise a um dos discos apreendidos a Rui Pinto, o já falado RP3.

O especialista explicou as dezenas de programas encontrados e as técnicas e procedimentos que permitem, seja para entrar em sistemas, criar esquemas de phishing, captura de credenciais de acesso, fazer download de ficheiros numa máquina remotamente, entre muitos outros.

Verificou-se que, apesar do computador de Rui Pinto correr sistema operativo MacOS, haviam programas de hacking para captura de passwords que corriam em Windows, segundo explicou o especialista, porque a PLMJ e outras entidades alegadamente espiadas pelo hacker usam este sistema operativo.

Especialista explicou também que havia, como já referido pelo inspetor José Amador, 488 contas configuradas nos clientes de email do computador de Rui Pinto.

As explicações muito técnicas do especialista, quando clarificava o que eram domínios encurtados, por exemplo os feitos através da plataforma Bitly. A juíza Margarida Alves, depois de várias explicações não conteve o riso, admitindo que não estava a entender do que se tratava e justificou: "Sabe, nós é mais homicídios".

14:14 | 01/10
Recomeça a sessão no Campus de Justiça, em Lisboa.
13:23 | 01/10
Sessão foi interrompida para almoço. Terminaram as questões ao inspetor da PJ José Amador e, durante a tarde, será ouvido outro inspetor, José Luís São Bento.
13:23 | 01/10
A defesa pergunta pelo estilo de vida de Rui Pinto. O inspetor diz que não esteve no interior da casa onde vivia Rui Pinto em Bufapeste mas adiantou que "não era o bairro mais fino de Budapeste, tinha zonas pouco recomendáveis".

Depois a defesa de Aníbal Pinto começa a questionar o inspetor da PJ. O advogado Amílcar Fernandes insistiu na tese de que a PJ terá orquestrado uma ‘armadilha’ a Aníbal Pinto com a colaboração de Nélio Lucas e Pedro Henriques, da Doyen, no âmbito do alegado crime de tentativa de extorsão, que Aníbal Pinto explicou anteriormente que se tratava, na sua visão, de um contrato de prestação de serviços.

O advogado de Aníbal Pinto insistiu no porquê da presença de Pedro Henriques na altura em que Nélio Lucas faz a queixa. O inspetor voltou a dizer que interpretou a presença de Pedro Henriques como "pessoa com relação próxima de Nélio Lucas".

Sobre o ofício enviado às autoridades russas a que Pedro Henriques terá tido acesso, o inspetor da PJ garantiu que não foi ele que enviou e remeteu mais explicações para chefia imediata. Negou sempre qualquer articulação fora "do normal" com os queixosos, até no encontro que decorreu a 21 de outubro de 2015 num posto de combustível da A5, em Oeiras.

Sobre esse encontro o inspetor da PJ explicou que esteve no exterior, que o interrogatório que se seguiu imediatamente à Nélio Lucas e Pedro Henriques ocorreu porque "quanto mais cedo se interrogar, melhor vai ser o testemunho". Disse também que o encontro, que ele saiba, não foi gravado por ninguém. Disse também não ter conhecimento, sem ser do que leu no relatório dos colegas que assistiram do encontro entre Aníbal Pinto, Pedro Henriques e Nélio Lucas, sobre os 5 minutos em que Pedro Henriques se ausentou e Nélio Lucas, segundo Aníbal Pinto, terá oferecido um milhão de euros pela identidade de Rui Pinto (que usava sempre o pseudónimo Artem Lobuzov nas comunicações com a Doyen).

As intervenções e perguntas do advogado de Aníbal Pinto ficam marcadas por várias chamadas de atenção da juíza Margarida Alves, que pediu moderação no tom de Amílcar Fernandes e criticou a repetição insistente de perguntas.

Ainda, a defesa de Rui Pinto perguntou sobre Cristiano Ronaldo e "outros nomes do futebol" que foram ouvidos pela PJ, se teriam denunciado contactos de Rui Pinto para tentativa de extorsão. "Havia indicações no mundo do futebol", confirmou José Amador, explicando que "houve abordagens diretas e indiretas semelhantes em contexto de extorsão, mas nunca havia nada que permitisse seguir uma linha série da investigação".

"Não me davam segurança que estivessem associadas ao processo", explicou José Amador.
12:37 | 01/10
A defesa questionou sobre as fontes de rendimento de Rui Pinto e a PJ explicou que verificou as contas do hacker e dos familiares. Não havia ligação encontrada inicialmente a carteiras de Bitcoin e não foi linha inicial de investigação por ser difícil traçar o titular, uma vez que “um endereco é o início da travessia do deserto”, ou seja, a criptomoeda pode circular entre várias carteiras e “não é fácil” chegar à identificação do dono final da Bitcoin. Ainda assim admitiu que Rui Pinto “tem capacidade para ter Bitcoin e fazê-la circular”.

Foi verificado que Rui Pinto não tinha créditos e que tinha "valores que não eram expressivos, na ordem de poucas centenas de euros", relativo à venda e leilão de livros e antiguidades. "Se aquela era a fonte de rendimento do arguido, então vivia muito mal", disse José Amador.

Defesa perguntou se foi diretamente dito ao arguido que o que fosse recolhido, no âmbito da abertura dos discos, não poderia ser usado para o incriminar, nos primeiros interrogatórios.

O inspetor da PJ explicou que o tema era recorrente e fonte de discórdia. "A questão não era ultrapassada e fechava-se o auto", afirma José Amador, que diz não se lembrar se foi dito diretamente a Rui Pinto se a informação recolhida com os acessos cedidos pelo hacker nao poderia ser utilizado para o autoincriminar.

Questionado sobre se não cedesse os acessos aos discos quanto tempo demoraria a PJ a abrir os discos, respondeu: "Era demorada e complicada [a operação], nem no meu tempo de vida", estimou José Amador.

O inspetor da PJ adiantou que a colaboração "terá que ir para além da abertura dos discos". "Temos condições para ir além disso", afirmou.
12:25 | 01/10
Luísa Teixeira da Mota, da equipa de advogados de Rui Pinto começou por perguntar se se verificava "uma evolução de conhecimentos" entre os vários casos de alegado acesso invedido, fosse ao Sporting ou à Doyen ou à PGR. O inspetor José Amador diz que se verifica "diferença substancial entre 2015 e finais de 2018, na forma e origem".

A defesa de Rui Pinto questiona se num dos documentos de Rui Pinto (excerto do documento que foi apresentado) há divulgação de credenciais de acesso aos sistemas da PGR. Inspetor explica que não, que são apenas cabeçalhos de emails, não contém as passwords, mas que segundo José Amador "o interesse ia para além disso". "Era o jogo do quem é quem dos contactos de determinado nivel no MP e na PGR. Era essencial para perceber ligações a informação de contexto", clarificou.

José Amador clarificou também que os acessos de Amadeu Guerra, alegadamente usados por Rui Pinto para aceder aos sistemas da PGR "foram uma das portas de entrada". Foi explicado que poderão ter havido outras que não deixaram rasto, mas que os acessos privilegiado de Amadeu Guerra coincidiam com o que terá sido consultado.
09:23 | 01/10
Pedro Zagacho Gonçalves
O dispositivo de segurança no local é menos robusto do que em outras sessões: há menos agentes das várias forças especiais da PSP e perímetro de segurança em volta do edifício A - onde decorre o julgamento, no 6.º piso - é menor.

Esta quinta-feira fica também marcada pela greve dos oficiais de justiça.
09:03 | 01/10
Pedro Zagacho Gonçalves
Continua o julgamento de Rui Pinto esta quinta-feira, naquela que é a oitava sessão no Campus de Justiça, em Lisboa.

Nesta sessão a defesa de Rui Pinto, encabeçada pelo advogado Teixeira da Mota, continuará a questionar o inspetor da Polícia Judiciária (PJ), José Amador, sobre a investigação que liderou e que permitiu a detenção do hacker, em Budapeste, pela polícia húngara.

O tema da polémica dos dois sacos de prova que ficaram 'esquecidos' (de um total de 26), e o facto de as autoridades francesas terem pedido as húngaras cópias dos discos de Rui Pinto sem o comunicarem à PJ deverá ser abordado, assim como outras questões respeitantes ao alegado crime de tentativa de extorsão à Doyen, precisamente um dos temas que deverá abrir a sessão desta quinta-feira. 

Está previsto também que seja ouvido na condição de testemunha outro inspetor da Polícia Judiciária, José Luís São Bento, que esteve também envolvido nas operações técnicas de investigação que permitiram que as autoridades portuguesas chegassem à identidade de Rui Pinto.

O inspetor da PJ José Amador também deverá ser questionado pela defesa de Aníbal Pinto, já que o advogado, acusado do crime de tentativa de extorsão ao fundo desportivo Doyen, não esteve presente na última sessão.
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