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Correio da Manhã

Portugal
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DIZ QUE COMPROU MULHER

Um pastor de 49 anos, da aldeia de Gache, Vila Real, diz ter comprado uma mulher de 22 anos por quinze cabritos e cabras e ainda 2500 euros. Sexta-feira apresentou-se na casa da ‘prometida’ de caçadeira em punho dizendo-lhe: “Eu comprei-te. Tu és minha, ou vens comigo ou quero o meu dinheiro e as cabras”. Acabou detido.
21 de Setembro de 2004 às 00:00
Ontem, Domingos Curtinhas, casado e com três filhos, foi presente ao Ministério Público de Vila Real. O interrogatório durava há uma hora quando os bombeiros saíram com o homem deitado numa maca, inconsciente, transportando-o ao hospital. A ingestão de vários medicamentos terá sido a causa deste mal-estar do pastor.
Domingos Curtinhas assustou na passado sexta-feira os habitantes da pacata aldeia de Lage, Vila Real, quando se sentou em frente da casa da mulher que dizia ter comprado. Tinha mesmo um burro com que ia levar a ‘amada’ para casa. Os vizinhos chamaram a GNR que conseguiu que o homem entregasse a arma, que nem sequer estava carregada.
José Ribeiro, trabalhador rural, companheiro da mulher em causa, nega que ele ou alguém a tenham vendido, o que vai contra a opinião da mãe da jovem.
“Na altura em que foi feito o negócio ela esteve a trabalhar comigo numa propriedade em Alijó. Nunca poderíamos ter sido nós”, defende-se. “Sei que um porteiro de uma ‘casa de meninas’ negoceia com mulheres. A mulher que ele vendeu ao pastor é uma brasileira que mora em Vila Marim”, acusa José Ribeiro.
MÃE DIZ QUE ELA FOI VENDIDA MAS 'VÍTIMA' NEGA
O CM encontrou a mulher ‘vendida’, Marisa Prazeres Brás Fernandes, 22 anos, solteira com três filhos, em casa dos pais. No local passava-se uma discussão, em que a mãe da jovem, Arminda Brás, acusou o companheiro da filha, José Ribeiro, de efectivamente ter vendido a jovem. Afirmou mesmo que todo o negócio foi feito por ele, com o acordo da filha que terá estado duas noites na companhia do pastor.
A jovem negou as acusações da mãe e corrobora que se encontrava com o companheiro na altura que o negócio com o pastor terá sido feito.
“É tudo uma mentira. Não sei quem fez o negócio. Só vi o pastor que me veio buscar por duas vezes quando vinha no autocarro a caminho de casa”, refere Marisa.
“Jamais aceitaria que um homem me vendesse, qualquer que fosse o dinheiro. Trocarem-me por cabras e cabritos, isto é de seres humanos? Pelos vistos deixei de ser mulher e passei a ser como arroz ou carne do talho”, ironizou.
Marisa Fernandes afirma que vai abandonar a aldeia e trabalhar em Espanha por vergonha.
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