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Correio da Manhã

Portugal
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Do silêncio à "traição" pelas costas: a atitude da madrasta de Valentina desde o início do caso

Márcia sempre negou estar envolvida no crime da morte da menina. Mas esta terça-feira, quebrou o silêncio perante o juiz.
Correio da Manhã 13 de Maio de 2020 às 09:50
Madrasta de Valentina no Tribunal de Leiria
Pai e madrasta - Sandro Bernardo trabalha numa conserveira. É casado com Márcia.
Madrasta de Valentina no Tribunal de Leiria
Pai e madrasta - Sandro Bernardo trabalha numa conserveira. É casado com Márcia.
Madrasta de Valentina no Tribunal de Leiria
Pai e madrasta - Sandro Bernardo trabalha numa conserveira. É casado com Márcia.
Márcia e Sandro Bernardo eram casados e viviam juntos há poucos meses em Atouguia da Baleia, Peniche, mas estavam a pensar emigrar para a Bélgica.

A madrasta de Valentina, de 38 anos, não tinha qualquer ocupação profissional conhecida: estaria em casa a cuidar dos filhas que tinha em comum com o atual companheiro, duas meninas de um ano e meio e de quatro. Na mesma casa vivia também o seu filho mais velho, um rapaz de 12 anos. E nas últimas semanas, também a enteada Valentina, a menina cuja morte trágica está a comover Portugal inteiro.

No domingo, foi detida juntamente com o marido por suspeitas da morte da menina, cujo corpo foi encontrado sem vida e coberto por giestas a caminho da Serra d'el Rey, no distrito de Leiria.

As primeiras informações dadas pelo pai da menina à PJ davam conta de que Valentina teria desaparecido durante a noite pelo próprio pé, num dia em que a madrasta se teria esquecido de trancar a fechadura da porta da casa.

Durante as buscas, Márcia nunca saiu de casa. Recusou-se inclusivé a entregar as roupas de Valentina à polícia, dizendo que tinha colocado tudo a lavar uns dias antes. Já no domingo, Márcia e Sandro acompanharam inspetores da PJ até sua casa onde assistiram a reconhecimentos e reconstituições parciais, mas a madrasta da Valentina sempre se recusou a partipar.

A chave para a realização do que se tinha passado foi o filho mais velho de Márcia, que contou que viu a menina entrar com os adultos na casa de banho, quarta-feira, e já não a viu sair. Depois mandaram-no ir dormir.

Sandro fala num acidente na casa de banho, quando Valentina morreu na quarta-feira à noite. Dsse que estava a exigir à filha que lhe contasse a verdade sobre boatos de ela ser vítima de abusos sexuais por parte de um amigo da mãe. Conta que Valentina tomava banho e foi nessa altura que a pressionou e tentou forçar uma confissão. Mas, ainda na versão dele, ela teve um ataque e convulsões. E morreu.

Já Márcia, a madrasta, disse que nem estava no WC. Não assume que ajudou a esconder o corpo. Sandro confirma, mas iliba a mulher da morte. Levaram o cadáver da menina no banco de trás da sua Renault Scenic verde e esconderam-no com as giestas.

Mas a autópsia revela que as causas da morte da menina foram agressões muito violentas, com lesões na cabeça e indícios de asfixia, desmentindo a versão avançada pelo pai da menina, que deu conta de uma queda.

Os resultados preliminares de Medicina Legal confirmam que ocorreram as tais convulsões de que o pai fala, mas provocadas pela pancada e não por um ataque de epilepsia.

Após ter sido espancada, a menina foi depois embrulhada numa manta, deitada num sofá e ali ficou durante todo o dia. Às outras crianças, o casal contou que Valentina tinha dores de barriga. E por isso estava tão calada.

A família almoçou e jantou já com a menina praticamente inanimada. Valentina sofreu sozinha e ninguém a ajudou. Os pais, à noite, chegaram mesmo a sair de casa. Sandro diz que foram comprar leite para a filha mais nova e, quando chegaram, Valentina estava morta. A PJ acredita que ao verem o cadáver de Valentina na sala, o pai e a madrasta mandaram os irmãos para a cama e decidiram criar uma artimanha.

Reviravolta: Márcia quebra silêncio e "trai" pai de Valentina
Inicialmente, a madrasta de Valentina remeteu-se ao silêncio e não quis dar pormenores sobre o que, de facto, aconteceu naquela noite. Já em tribunal, Márcia traiu Sandro e contou que afinal assistiu a tudo.

Ouviu os gritos de Valentina, percebeu que ela estava gravemente ferida. Nada fez, assumiu, não chamou a polícia nem apoio médico. Mas foi obrigada, foi Sandro quem lhe bateu para que se calasse. E que até a forçou a vestir a menina com o pijama e o casaco e depois a acompanhá-lo a esconder o corpo no descampado.

Esteve duas horas a ser interrogada. Foi apertada pelo magistrado judicial, mas nunca cedeu.
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