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Correio da Manhã

Portugal

Duas instituições da Figueira da Foz funcionam à porta fechada com medo de cadastrado

Em causa está um homem considerado perigoso pelas autoridades e indiciado de múltiplos crimes.
Lusa 6 de Fevereiro de 2020 às 16:56
PSP
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Duas instituições da área social da Figueira da Foz, uma pública e outra privada, estão a funcionar à porta fechada por motivos de segurança, depois de ameaças aos funcionários por um utente com cadastro, revelaram fontes policiais.

Em causa está um homem de 32 anos, considerado perigoso pelas autoridades e indiciado de múltiplos crimes, como sequestro, ameaça com arma de fogo, extorsão, tráfico de estupefacientes, roubo, coação ou ofensas à integridade física. Foi detido pela última vez pela PSP da Figueira da Foz em 29 de janeiro e colocado em prisão domiciliária com pulseira eletrónica pelo tribunal de Coimbra, apesar de estar em liberdade condicional ao abrigo de outro processo.

Segundo fontes da PSP, as duas instituições que estão a funcionar à porta fechada, por medo de represálias, são o Centro de Resposta Integrada (CRI) da Figueira da Foz (antigo Centro de Atendimento a Toxicodependentes), entidade que funciona na dependência da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), e a Associação Fernão Mendes Pinto, instituição particular de solidariedade social, cujas instalações estão localizadas no centro desta cidade do litoral do distrito de Coimbra.

Fonte da PSP indicou que o último episódio protagonizado pelo homem sucedeu na segunda-feira, no CRI da Figueira da Foz, onde aquele se deslocou para uma consulta, devidamente autorizado pelo tribunal, quando já estava em prisão domiciliária, tendo, na altura, assumido um comportamento violento com diversas ameaças aos funcionários, que chamaram a polícia.

Desde o episódio em causa, que a porta dessa instituição (localizada junto ao Casino da Figueira da Foz, na zona turística conhecida por Bairro Novo), habitualmente aberta para a rua - e que dá acesso a um pátio interior coberto, onde se situa uma sala de espera, um gabinete de enfermagem e instalações sanitárias - foi fechada e nela colocada um aviso onde se lê "Aberto. Bata à porta, por favor".

Questionada sobre a situação, fonte da ARSC confirmou o episódio de violência ocorrido na segunda-feira e referiu que a entidade regional "tem contado e conta com toda a colaboração da PSP na salvaguarda da segurança dos profissionais e utentes".  



Já outra fonte policial, conhecedora dos diversos casos em que o homem está envolvido, criticou a atuação dos tribunais, nomeadamente a "morosidade" do tribunal de execução de penas em situações análogas: "É um individuo extremamente perigoso, que ameaça, rouba e agride de forma gratuita, seja quem for. Se calhar vai ser preciso que mate alguém antes que quem de direito faça alguma coisa", enfatizou.

"Estava com pulseira eletrónica, foi à consulta autorizado pelo tribunal, mas não foi autorizado para sair de casa e ir cometer crimes", desabafou a mesma fonte, sobre o episódio de segunda-feira no CRI, pelo qual o homem está indiciado por crimes de ameaças e coação sobre funcionário.

Contactada pela Lusa sobre este caso, fonte da Procuradoria-Geral da República (PGR) disse ter reencaminhado as perguntas, que estão a ser analisadas, afirmando que será dada resposta assim que possível.

Em 29 de janeiro, aquando da última detenção do suspeito, por ameaças a funcionários da Associação Fernão Mendes Pinto, o comando da PSP de Coimbra emitiu uma nota de imprensa onde explicava os contornos da detenção em flagrante delito, por os agentes policiais terem testemunhado "ameaças graves à integridade física das vítimas".

No mesmo comunicado, a PSP referiu que o detido "estaria a ameaçar funcionários que, por motivos de segurança, estavam fechados nas instalações".

Na nota, a PSP assumia ainda que o detido "é muito conhecido" daquela força policial "e temido na cidade da Figueira da Foz, por ser suspeito de vários crimes graves contra pessoas e património, tendo já cumprido pena de prisão".

Na mesma altura, fonte policial acrescentou que, aquando da última detenção, o homem estava em liberdade condicional, condição subjacente ao cumprimento de determinadas medidas, como apresentações periódicas às autoridades, que alegadamente nunca terá cumprido.

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