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Correio da Manhã

Portugal
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"Estou arrependido, devia ter morrido eu"

Baleada não anda, pouco fala e não se lembra do homicida.
Ana Isabel Fonseca 18 de Março de 2016 às 09:38
Manuel Monteiro confessou crimes e pediu desculpa
Manuel Monteiro confessou crimes e pediu desculpa FOTO: CMTV
Marta Nogueira não se lembra que um dia namorou com Manuel Monteiro. E muito menos recorda que foi essa relação obsessiva que levou a que o homem, de 31 anos, a atingisse a tiro e matasse a sua prima Joana, a 15 de abril do ano passado, no Pinhão, em Alijó. A jovem não anda e pouco fala, estando a viver num centro de reabilitação. O homicida começou ontem a ser julgado em Vila Real.

"Quero pedir desculpa às famílias. Estou muito arrependido, elas não mereciam. Quem devia ter morrido era eu", disse Manuel, que assumiu os crimes.

O arguido, que está na cadeia, negou, porém, partes da acusação. Rejeitou que Marta, de 21 anos, tivesse terminado o namoro dias antes e alegou que tiveram só uma discussão relacionada com o facto de os pais dela não aceitarem a sua relação com um homem mais velho e que já tinha estado preso.

Na noite anterior ao crime, Marta foi dormir a casa dos pais em São João da Pesqueira e Manuel acreditou andar a ser traído. No dia seguinte, foi à pastelaria onde a jovem e a prima trabalhavam: "Eu só queria falar. Mas depois a Joana apareceu e chamou-me monstro. Sei que tinha a arma na mão, mas não me lembro de mais nada."

Ontem, foi ouvido o pai de Marta, visivelmente abalado. "Era uma jovem cheia de vida e de sonhos e perdeu tudo", afirmou João Nogueira. À saída do tribunal, o arguido ouviu os gritos de revolta de familiares das vítimas: "Assassino, vais pagar pelo que fizeste."