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Correio da Manhã

Portugal
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Evolução no terreno vai redefinir presença militar portuguesa em Moçambique

468 mortos e 1.522 feridos foram já contabilizados pelas autoridades moçambicanas.
27 de Março de 2019 às 11:51
Militares portugueses em Moçambique
Militares portugueses já chegaram a Moçambique para iniciarem operação de resgate
Militares portugueses em Moçambique
Militares portugueses já chegaram a Moçambique para iniciarem operação de resgate
Militares portugueses em Moçambique
Militares portugueses já chegaram a Moçambique para iniciarem operação de resgate
A presença das forças militares portuguesas em Moçambique vai ser reavaliada nos próximos dias disse hoje o almirante Silva Ribeiro que esteve presente, em Lisboa, no envio de material humanitário às vítimas do ciclone Idai.

"Certamente, durante o fim de semana vamos começar a retrair os fuzileiros que estão em Moçambique", disse aos jornalistas o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) referindo-se à evolução da situação no terreno.

"Aquilo que se passa agora em Moçambique relativamente à ação dos militares é o que é normal nestas operações: os militares são projetados de imediato fruto da sua prontidão e depois quando a operação se está a transformar, como acontece agora numa operação que se destina essencialmente a garantir a saúde pública e a reconstrução, as forças militares normalmente retraem", explicou o almirante António Silva Ribeiro.

Hoje partiu do aeroporto militar de Figo Maduro, Lisboa, um avião com 17 toneladas de ajuda humanitária às populações vítimas do ciclone Idai, em Moçambique, e equipamento de sustentação logística para os organismos de apoio portugueses que se encontram no terreno.

O transporte foi garantido pela Força Aérea espanhola (Ejército del Aire) que, ao abrigo da cooperação entre Lisboa e Madrid, disponibilizou um avião de transporte militar A 400M.

O aparelho transporta vacinas, cloro, uma estação de purificação de água, um sistema de comunicações além de alimentos e bens de primeira necessidade.

De acordo com o CEMGFA, os militares da Força de Reação Imediata enviados para Moçambique desempenharam uma primeira ação - "que ainda tem alguma continuidade" -- relativa à busca e salvamento de pessoas, transporte de alimentos e medicamentos, estabelecimento de comunicações e envio de médicos para apoio às populações e aos cidadãos portugueses.

"Hoje estamos empenhados na busca de um cidadão português que está incontactável, mas ontem [terça-feira] tivemos alguns indícios da área onde poderá estar e, portanto, os fuzileiros foram hoje projetados de helicóptero para fazer uma busca e tentarem encontrar esse senhor", disse Silva Ribeiro.

Encontra-se também na região afetada um oficial de engenharia que avalia o estado das infraestruturas estando os militares portugueses integrados numa organização de proteção civil em colaboração com as Forças Armadas de Moçambique e em apoio aos organismos de proteção civil moçambicanos.

Da mesma forma, o coronel Duarte Costa, comandante nacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil referiu que pode vir a ser definida uma nova fase relativa à presença e desempenho da ajuda portuguesa.

"Nós todos temos a consciência de que a situação de emergência está a ser colmatada e poderá ser alterada para um esforço ao desenvolvimento e ao bem-estar das populações. A finalidade das missões terá de ser reavaliada. Compete ao Estado Português reavaliar as prioridades de forma a orientar o nosso esforço sobre o que é necessário enviar para Moçambique, tendo por base a ligação entre os Estados", afirmou.

A ajuda portuguesa integra elementos da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Forças Armadas, GNR e Cruz Vermelha.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, no Zimbabué e no Maláui fez pelo menos 786 mortos e afetou 2,9 milhões de pessoas nos três países, segundo dados das agências das Nações Unidas.

Moçambique foi o país mais afetado, com 468 mortos e 1.522 feridos já contabilizados pelas autoridades moçambicanas, que dão ainda conta de mais de 127 mil pessoas a viverem em 154 centros de acolhimento, sobretudo na região da Beira, a mais atingida.

As autoridades moçambicanas adiantaram que o ciclone afetou cerca de 800 mil pessoas no país, mas as Nações Unidas estimam que 1,8 milhões precisam de assistência humanitária urgente.

Entre os danos materiais, as autoridades moçambicanas registam mais de 90 mil habitações atingidas, das quais 50.619 ficaram totalmente destruídas, 24.556 parcialmente destruídas e 15.784 inundadas.

Foram ainda danificadas ou destruídas 3.202 salas de aulas, afetando 90.756 alunos, bem como 52 unidades de saúde.

Quase 500 mil hectares de terras ficaram inundadas.

Segundo o Instituto Nacional de Gestão de Calamidades de Moçambique, o Idai atingiu a Beira no dia 14 de março com chuva forte e rajadas de vento de 180 a 220 quilómetros por hora.

No Zimbabué, as vítimas mortais registadas são 259, há 186 feridos contabilizados e 4.500 deslocados, num total de 270 mil pessoas atingidas pelos efeitos do Idai.

No Maláui, o balanço mantém-se inalterado, nos 59 mortos, além de 672 feridos, 86 mil deslocados, e 868.900 pessoas afetadas.
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