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Correio da Manhã

Portugal
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Ex-bancária detida pela PJ sai em liberdade

Suspeita de burla a clientes VIP do Banco Best.
Henrique Machado 30 de Abril de 2016 às 13:02
A bancária Ana Mafalda Prazeres
A bancária Ana Mafalda Prazeres FOTO: Direitos Reservados

Ana Mafalda Spínola Carvalho Prazeres foi detida pela Polícia Judiciária de Lisboa e foi este sábado presente a juiz. 

A ex-bancária ficou com termo de identidade e residência e proibida de contactar os restantes intervenientes no processo, aguardando assim o julgamento em liberdade. É suspeita de burla, abuso de confiança e falsificação de documentos.

A bancária era procurada pela PJ depois de fazer desaparecer 20 milhões de euros de clientes VIP do Banco Best.

Além do dinheiro que perderam, estão a ser confrontadas com créditos que a bancária, de 57 anos, ‘estoirou’ em seu nome.

A dimensão gigantesca da fraude foi apurada já no dia 6 de abril, à porta de um quarto no Hospital da CUF Infante Santo, em Lisboa, onde Ana Mafalda Prazeres recuperava da indisposição que sofrera pelo apertar do cerco.

Juntaram-se ali alguns clientes do Best, que abriram contas no banco pela mão daquela consultora financeira – e a quem o dinheiro desapareceu.

Todo o desfalque aos clientes está a ser apontado a Ana Mafalda Spínola Carvalho Prazeres, de 57 anos, a bancária que desapareceu logo depois de ter tido alta da CUF, no dia 7, apurou o CM.

Tinha relações de amizade que foi criando com a maioria das vítimas – a quem nunca mais atendeu o telefone.

Descobriu-se que tinha montado um esquema em pirâmide ao estilo da ‘Dona Branca’, conhecida burlona dos anos 80 do século passado, mas esta mais sofisticada e sob a fachada de um banco: angariava clientes para aplicações que dizia serem seguras e com a promessa de juros elevados, o que foi fazendo durante alguns anos, mas pagando os juros com o dinheiro de outros clientes.

E, nos últimos meses, a bolha rebentou. Os lesados tentaram resgatar o dinheiro, mas sem sucesso. Um dos esquemas passava por simular falsas aplicações das vítimas em ações de uma seguradora, desviando o dinheiro; outro consistia em convencer os clientes a comprar moeda estrangeira, o que não acontecia; a gestora também abria várias contas em nome das vítimas, com as quais emitia cartões de crédito à revelia dos clientes.

Há suspeitas de que Ana Mafalda usou a fortuna dos lesados em proveito próprio – inclusive no vício do jogo no Casino Lisboa. Entre os lesados há grandes empresários da construção, dos transportes e da hotelaria – só uma família de Negrais, Sintra, terá ficado sem mais de cinco milhões –; e há ainda pequenos clientes, que perderam tudo.

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