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Correio da Manhã

Portugal
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Faltam polícias e sobram roubos

Os comerciantes das Caldas da Rainha estão revoltados com a vaga de assaltos aos seus estabelecimentos e reclamam o reforço do policiamento. Têm razão para o fazer, pois a esquadra da PSP da cidade é a que tem menos polícias por habitante do País e também os elementos mais velhos.
18 de Dezembro de 2009 às 00:30
Nas Caldas da Rainha existe um polícia para cada 649 habitantes e comerciantes encontram-se revoltados
Nas Caldas da Rainha existe um polícia para cada 649 habitantes e comerciantes encontram-se revoltados FOTO: Carlos Barroso

Um relatório da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI), realizado após uma inspecção sem aviso prévio, em Maio passado, conclui que só existe um agente por cada 649 habitantes, quando a média nacional é de um por cada 250 habitantes e a União Europeia aconselha um polícia por 158 habitantes.

"É impensável fazer segurança de qualidade com este número de efectivos, que apenas pode assegurar o mínimo dos mínimos", disse ontem ao CM o presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), Paulo Rodrigues, frisando que esta situação "até põe em causa a segurança dos próprios agentes da PSP".

Além de dispor de poucos elementos para assegurar o policiamento, a média de idades dos que existem é de 44 anos, quando a média nacional é de 39,8 anos.

A vaga de assaltos a estabelecimentos e o clima de insegurança levaram a Associação Comercial de Caldas da Rainha e Óbidos (ACCRO) a promover um encontro com a PSP, em que foram apresentadas "medidas de prevenção".

João Frade, da ACCRO, rejeitou a criação de milícias, sugerida por um dos comerciantes assaltados.

"CRIMES SUCESSIVOS DE NOITE"

O encontro entre os comerciantes e a PSP ocorreu anteontem, no mesmo dia em que foi assaltada uma loja de antiguidades e joalharia no centro da cidade – depois de silenciado o alarme exterior com espuma de polietileno – e houve ainda uma tentativa de assalto a uma ourivesaria. "Estamos preocupados porque tem havido crimes sucessivos, sobretudo durante a noite", disse o comerciante José Moniz, proprietário de uma perfumaria que já foi assaltada cinco vezes este ano. O último ocorreu há dez dias e, desde então, José Gouveia Moniz está a "dormir no estabelecimento, para ninguém lá entrar". Alguns comerciantes estão a colocar grades nas montras, mas nem assim conseguem proteger os estabelecimentos, pois os assaltantes arrombam-nas, como aconteceu há dias numa ourivesaria da cidade. 

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